Ex-ministro da defesa é preso na Venezuela

O general de reserva Raúl Isaías Baduel, antigo ministro da Defesa de Hugo Chávez e que depois se tornou opositor de seu governo, foi detido nesta sexta-feira para comparecer perante a um tribunal da Justiça Militar da Venezuela. Baduel foi detido na cidade de Maracay, a 100 quilômetros a oeste de Caracas, por uma comissão da Direção de Inteligência Militar (DIM) e deve ser transportado para a capital venezuelana para comparecer diante de um tribunal militar.

BBC Brasil |

Segundo informaram porta-vozes militares na TV estatal venezuelana, esta não é uma detenção, mas um "mandado de condução" para que ele testemunhe perante uma corte militar em um processo por suposta corrupção enquanto ele exercia o cargo de ministro da Defesa.

Mesmo assim, fontes próximas a Baduel asseguraram à BBC que, no momento de sua captura, não ficou claro qual era a motivação da medida. Eles afirmaram ainda que a prisão foi "desnecessariamente violenta".

Imagens do canal de notícias Globovisión mostraram o ex-general sendo conduzido à força por um gruo de funcionários usando jaquetas da DIM.

De acordo com o que disse à TV estatal o fiscal militar Nelson Morales, Baduel "faltou com o respeito com os funcionários, que tiveram que recorrer à força" para cumprir o mandado.

De aliado a opositor
Baduel foi ministro da Defesa da Venezuela até julho de 2007.

Junto com Chávez, ele fez parte do movimento dentro das Forças Armadas que tentou dar um golpe no país em 1992.

Em abril de 2002, quando era chefe militar da cidade de Maracay, ele foi um dos que ajudaram a neutralizar o golpe que chegou a derrubar o governo Chávez por dois dias, o que fez com que ele fosse considerado pelo presidente um "herói da revolução bolivaria".

Baduel, no entanto, rompeu com o governo anos depois.

No discurso que proferiu ao sair ao cargo de ministro da Defesa, ele fez fortes críticas ao modelo econômico e político do governo.

O general se tornou um dos maiors opositores do projeto de reforma constitucional que Chávez propôs em dezembro de 2007 e que foi rejeitado em um referendo.

Com o rompimento, o próprio Chávez minimizou o papel de Baduel em sua volta à Presidência em 2002 e o classificou como "traidor".

Grande crítico do governo, em março deste ano, Baduel acusou Chávez de "apelar para o nacionalismo para recuperar o apoio popular" na época em que as tensões entre a Venezuela e a Colômbia de intensificavam.

Corrupção
No início deste ano, foi iniciada uma investigação sobre suposta corrupção na gestão de Baduel no Comando do Exército e no Ministério da Defesa. O ex-general classificou a investigação como perseguição política.

A Corregedoria Militar assegura ter encontrado indícios sobre o desvio de 11 milhões de bolívares (o equivalente a US$ 5 milhões) na época em que Baduel estava no gabinete.

O advogado do ex-ministro, Rafael Tosta Ríos, afirmou à BBC que as investigações podem ser a "justificativa dada" para a prisão de Baduel, mas disse não saber detalhes do processo.

"Não sabemos, o general solicitou por escrito informações sobre a investigação por vários meses, mas não obteve resposta", disse Tosta.

Tosta não descarta, no entanto, que o governo esteja tentando envolver seu cliente nos supostos planos para matar Chávez que o governo afirma ter descoberto três semanas atrás.

O advogado classificou o procedimento da prisão como "irregular" pois "viola o direito do juiz natural (da localidade em que vive o réu) e, portanto o devido processo".

"Ele só poderia ser processado pela Corte Militar se a acusação fosse de delito militar", afirma.

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