Ex-ministra Marina Silva abandona partido de Lula

Brasília, 19 ago (EFE).- A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva anunciou hoje sua saída do PT e deixou as portas abertas para aceitar a candidatura à Presidência que lhe ofereceu o Partido Verde (PV) para 2010.

EFE |

"Cheguei a uma conclusão muito parecida àquela que tomei com 16 anos, quando decidi sair da minha casa para ir à cidade e estudar.

Naquele momento tinha um sonho e agora recorro a essa história para dar a dimensão do que significa sair do PT após 30 anos", declarou em coletiva de imprensa.

Marina Silva, senadora pelo PT e ministra do Meio Ambiente de 2003 a 2008, é uma das ecologistas brasileiras de maior projeção no mundo e uma das personalidades mais importantes na formação do partido que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fundou em 1980.

"Este gesto não supõe renunciar a sonhos construídos no PT, se trata de semear em outros campos, pois a luta (pelo meio ambiente) não é de um partido, deve ser de todos os partidos, das empresas, da comunidade científica e, sobretudo, dos movimentos sociais", disse.

A senadora não esclareceu se vai se filiar ao PV, que já lhe ofereceu a candidatura presidencial para o próximo ano, mas deu a entender que deve ser esse o caminho.

"É o momento de anunciar minha saída do PT", disse a senadora, quem disse estar "em conversas com o PV".

Marina Silva, de 51 anos, entrou na política nos sindicatos da borracha do Acre, seu estado natal, e foi "discípula" de Chico Mendes, uma das primeiras vozes que se alçou para denunciar a destruição da Amazônia.

Mendes, um dos fundadores do PT, foi assassinado em dezembro de 1988 em uma emboscada montada por latifundiários e madeireiros que ele acusava de devastar a floresta.

Em dezembro de 2002, um mês antes de assumir o poder pela primeira vez, Lula anunciou a senadora como futura ministra do Meio Ambiente.

"O primeiro sinal que transmito ao mundo é que a Amazônia agora será tratada de forma diferente e é minha a decisão de pedir à companheira Marina Silva que se encarregue da política ambiental", declarou Lula dias antes de tomar assumir a presidência.

No entanto, a relação entre Lula e Marina Silva se desgastou diante das pressões do Governo para abrir caminho ao desenvolvimento da Amazônia e a expansão das hidrelétricas na região.

Silva se opôs com firmeza, mas bateu de frente sempre com as ideias da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, uma das pessoas mais próximas a Lula e que acredita que a Amazônia não pode ser o "santuário verde" que propõe a ministra do Meio Ambiente.

A última polêmica pública da senadora com o Governo e especialmente com Lula e Rousseff aconteceu após a decisão de construir duas hidrelétricas no rio Madeira que, segundo a ex-ministra, causarão dano ecológico irreparável.

Dia 13 de maio do ano passado ela renunciou ao Ministério e devido às "crescentes resistências" que enfrentava "dentro do Governo " para "levar adiante a agenda ambiental".

Marina Silva e Dilma Rousseff devem acabar se encontrando novamente, desta vez como adversárias na campanha para a presidência da república.

Segundo uma pesquisa divulgada no fim de semana passado, Rousseff tem hoje o 16% de intenções de voto, contra 3% de Marina Silva, enquanto o favorito continua sendo o opositor José Serra, governador de São Paulo, com 37%.

Segundo informou hoje a imprensa, o cantor e ex-ministro Gilberto Gil contempla a possibilidade de apresentar-se como candidato à Vice-Presidência na chapa de Marina Silva. EFE ed/fk

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