Ex-ministra argentina cria polêmica ao questionar desaparecidos em ditadura

Buenos Aires, 5 ago (EFE).- A presidente do grupo Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, se envolveu hoje em uma polêmica com uma ex-ministra que questionou a informação de que 30 mil pessoas teriam desaparecido na Argentina durante a última ditadura militar, como afirmam os organismos de direitos humanos.

EFE |

"O que diz (a ex-ministra) Graciela Fernández Meijide é realmente alarmante", disse a dirigente humanitária, acrescentando que afirmar que o número de 30 mil desaparecidos "é exagerado representa tratar como mentirosas" as entidades humanitárias.

Fernández Meijide, ex-ministra do Desenvolvimento Social do Governo de Fernando de la Rúa (1999-2001) e também famosa dirigente humanitária, surpreendeu há poucos dias quando se perguntou "com que direito se fala de 30 mil desaparecidos" quando a Comissão Nacional de Desaparecimento de Pessoas, que ela integrou, "documentou 9 mil".

Em entrevista à rádio "Mega", Estela de Carlotto respondeu hoje que não se surpreende com as declarações da ex-ministra, ao lembrar que quando "ela foi à Espanha, disse o mesmo ao juiz Baltasar Garzón".

"É praticamente dizer que mentimos. É algo muito delicado, com certeza", disse.

A presidente do grupo humanitário alegou que existem "provas suficientes" para calcular que 30 mil pessoas desapareceram, e disse estar surpresa com a sugestão de redução das sentenças contra os repressores "em troca de informação", feita pela ex-ministra.

O Governo argentino entrou na polêmica com uma carta que o secretário de Direitos Humanos, Eduardo Luis Duhalde, enviou a Fernández Meijide.

"O número de 30 mil não é nem arbitrário nem caprichoso, embora seja lamentável reduzir a dimensão da tragédia argentina a um problema contábil", disse o funcionário, e esclareceu "que não há um censo nacional completo sobre o número de vítimas". EFE cw/db

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