Ex-ministra advertiu a Blair sobre possível crise humanitária no Iraque

Londres, 2 fev (EFE).- A ex-ministra de Desenvolvimento Internacional britânica Clare Short advertiu ao ex-primeiro-ministro Tony Blair antes da Guerra do Iraque, em março de 2003, de que os Estados Unidos não estavam preparados para manter o funcionamento desse país após a invasão.

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Short, que começou a depor hoje na investigação independente sobre a Guerra do Iraque, alertou ao então primeiro-ministro trabalhista sobre uma "possível crise humanitária", a menos que se desse mais tempo às organizações humanitárias.

Segundo a ex-ministra, o organismo estabelecido pelos EUA para reconstruir o Iraque depois do conflito armado - denominado Escritório para a Ajuda Humanitária e a Reconstrução - não tinha os recursos necessários, o pessoal suficiente e não estava preparado para enfrentar o grande desafio que tinha pela frente.

As preocupações de Short estavam descritas em carta que ela enviou ao então primeiro-ministro Tony Blair em 5 de março de 2003, dois dias antes de o então procurador-geral britânico, Peter Goldsmith, considerar legal a invasão do Iraque sem contar com uma segunda resolução das Nações Unidas.

A carta foi entregue hoje por Short ao comitê que investiga a Guerra do Iraque, perante o que já prestaram depoimento testemunhas como o próprio Blair na sexta-feira passada.

"O senhor deveria estar ciente de que os EUA e a comunidade humanitária internacional não estão adequadamente preparados para atender as imediatas preocupações humanitárias", diz a carta.

"Um pouco mais de tempo - continua - permitiria aos EUA estarem em condições de atender algumas das consequências humanitárias do conflito. Meu departamento faz o que pode para assessorar os militares do Reino Unido sobre os preparativos de ajuda humanitária".

A investigação sobre a Guerra do Iraque começou no final do ano passado e está previsto que perante o comitê também deponha, em uma data ainda incerta, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que foi titular de Economia na época da crise iraquiana. EFE vg/sa

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