Istambul, 26 fev (EFE).- Um ex-comandante do Exército turco, acusado no processo judicial contra o suposto plano golpista Ergenekon, foi condenado hoje por um tribunal militar a 20 meses de prisão, a cumprir em liberdade condicional, por posse ilícita de armas.

Segundo informações de emissoras locais, embora a sentença contra o comandante reformado Fikret Emek não proceda do tribunal que julga a rede Ergenekon, está diretamente relacionada ao caso, pois o processo militar começou por causa das investigações da Promotoria de Istambul sobre a rede golpista.

Segundo a Promotoria, esta organização, formada por militares, policiais, jornalistas, políticos e acadêmicos ultranacionalistas, pretendia criar o caos na Turquia através de atentados e assassinatos para justificar um golpe de Estado contra o Governo islâmico moderado.

Emek participou de várias missões do Comando de Forças Especiais durante o conflito contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) até sua aposentadoria em 2005.

Em junho de 2007, pouco após o início da investigação sobre o Ergenekon, foram descobertas na casa da mãe de Emek armas e explosivos procedentes do Exército que pertenciam à mesma série das usadas em vários atentados atribuídos à rede golpista.

Após esta descoberta, a Justiça decretou prisão provisória para Emek no âmbito da operação contra a Ergenekon, cujo julgamento começou em outubro do ano passado com 86 pessoas acusadas embora o número total de envolvidos passe de 200.

Paralelamente a seu envolvimento no processo civil pelo Ergenekon, a Justiça militar abriu um processo contra o antigo comandante pela posse ilegal de armas do Exército.

Apesar de a condenação a Emek ser de apenas 20 meses de prisão, tem um grande simbolismo, pois se trata de uma punição emitida pelas próprias Forças Armadas da Turquia, às quais vários analistas acusam de protegerem os envolvidos na rede golpista. EFE amu/fal

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