Ex-militar nega ter ordenado massacre cometido em regime de Fujimori

Lima, 14 jul (EFE).- O ex-chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru Nicolás Hermoza Ríos afirmou hoje que jamais ordenou os assassinatos cometidos pelo grupo militar Colina, no marco do julgamento do ex-presidente peruano Alberto Fujimori (1990-2000).

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"Jamais dei uma ordem para matar uma pessoa, nem escrita nem oral" (...) e "não conheci Jesús Sosa Saavedra, nunca o vi", manifestou o ex-general.

"É absolutamente falso", reiterou Hermoza Ríos ao responder à Promotoria sobre as acusações de Sosa Saavedra.

Em um julgamento paralelo, ele afirmou que o ex-militar ordenou os assassinatos cometidos pelo Colina, o grupo militar encoberto supostamente criado pelo ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos com o consentimento de Fujimori para lutar contra o terrorismo.

Sosa Saavedra, conhecido como "Kerosene" por seu costume de carbonizar as vítimas para esconder as evidências e um dos líderes do Colina, foi detido em abril após vários anos na clandestinidade.

As declarações de Sosa Saavedra foram feitas em um julgamento paralelo que acontece pelo assassinato de 15 pessoas em Barrios Altos (1991), e foram incorporadas ao processo de Fujimori, anunciou hoje o presidente da Sala, César San Martín.

Durante a audiência de hoje, Hermoza Ríos, considerado o "número três" do regime fujimorista, admitiu ter cometido "um erro" ao levar os tanques às ruas de Lima em 21 e 22 de abril de 1993, quando o Congresso da República o indiciou para depor pelos casos de La Cantuta (1992) e Barrios Altos.

Hermoza Ríos explicou que a medida surgiu porque a Divisão Blindada considerou que a citação do Parlamento era uma ofensa contra o comandante geral, que dirigia a luta antiterrorista.

O julgamento contra Fujimori foi retomado hoje depois que a sessão prevista para sexta-feira foi suspensa para que o ex-presidente se recuperasse da cirurgia à qual foi submetido para a retirada de duas lesões inflamatórias da língua.

Se for considerado culpado, Fujimori poderia ser condenado a uma pena máxima de 30 anos de prisão por responsabilidade nos crimes de Barrios Altos e La Cantuta. EFE amr/db

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