Ex-militar guatemalteco é condenado a 6.060 anos de prisão por massacre

Pedro Pimentel recebe 30 anos para cada um dos 201 camponeses assassinados em 1982, mas pena máxima no país é de 50 anos

iG São Paulo |

O ex-militar Pedro Pimentel foi condenado nesta segunda-feira pela Justiça da Guatemala a 6.060 anos de prisão pela participação no massacre de 201 camponeses em 7 de dezembro de 1982, cometido em uma comunidade do norte do país.

Pimentel foi sentenciado a 30 anos por cada um dos 201 assassinatos e a outros 30 por uma acusação de crimes contra a humanidade. Porém, o Código Penal da Guatemala contempla pena máxima de 50 anos de prisão.

Leia também: Ex-ditador da Guatemala será julgado por genocídio

AP
Ex-militar Pedro Pimentel durante julgamento na Guatemala

O massacre aconteceu na comunidade Dos Erres, no município de La Liberdade, no departamento de Petén, durante o regime de general golpista José Efraín Ríos Montt (1982-1983). Ríos Montt enfrenta um processo judicial por genocídio cometido durante seu regime e está em prisão domiciliar.

Horas antes de a sentença ser anunciada, Pimentel, extraditado desde os Estados Unidos em julho de 2011, se declarou inocente e assegurou que no dia do massacre se encontrava como agregado à Guarda de Honra na capital guatemalteca.

"Venho aqui negar minha participação", disse Pimentel, que tem 55 anos e é ex-membro da Escola Kaibil, um corpo de elite do Exército guatemalteco treinado em contrainsurgência - e cujos membros, segundo um dos peritos, o general reformado peruano Rodolfo Robles, eram "máquinas de matar".

O advogado do ex-militar, Manuel Lima, pedira a absolvição de seu cliente ao sustentar que, durante o julgamento, iniciado em 23 de fevereiro, não se pôde demonstrar com provas materiais a participação de Pimentel.

No entanto, os ex-membros da Escola Kaibil Cesar Franco e Fabio Pinzón, principais testemunhas do processo e que segundo a Promotoria também participaram da patrulha que cometeu o massacre, asseguraram na acareação que Pimentel esteve em Dos Erres e que chegou a fazer "uma demonstração de como se matava uma pessoa".

Pimentel é o quinto ex-militar condenado pelo massacre em Dos Erres, um dos 660 que, segundo a Comissão do Esclarecimento Histórico (CEH), foram cometidos na Guatemala durante o conflito armado (1960-1996) que deixou cerca de 250 mil vítimas, entre mortos e desaparecidos.

Em 2 de agosto, outro tribunal condenou quatro ex-militares guatemaltecos a 6.060 anos de prisão cada um pelo massacre dos 201 camponeses em 1982. Trata-se de Daniel Martínez, Manuel Pop, Reyes Collin e Carlos Carías, todos eles ex-integrantes da Escola Kaibil.

Com EFE

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