Ex-marido de Betancourt diz estar decepcionado com as Farc e com Uribe

Berlim, 13 abr (EFE).- Fabrice Delloye, ex-marido de Ingrid Betancourt, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 2002, disse estar muito decepcionado com a falta de resposta do grupo à proposta do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pela atitude inflexível do governante Álvaro Uribe.

EFE |

Em uma entrevista à revista semanal alemã "Der Spiegel", Delloye disse que o fracasso da missão médica enviada pela França para atender Betancourt foi "o pior sinal que poderia ter sido mandado para uma pessoa em perigo de morte".

"Estou muito decepcionado com o silêncio das Farc", afirmou Delloye, para quem a morte do líder guerrilheiro Raúl Reyes em uma operação militar colombiana, em março, "dificultou muito o diálogo".

Para o ex-marido de Betancourt, as Farc não entenderam que a oferta de Sarkozy de buscar asilo para guerrilheiros lhes abre as portas ao reconhecimento político, e se mostrou convencido de que Uribe também não é capaz de ver os benefícios da libertação da ex-candidata presidencial e de outros reféns.

Delloye lembrou que as Farc libertaram seis reféns este ano, um gesto que, para ele, não foi correspondido por Uribe com a retirada de forças militares de áreas designadas pela guerrilha, jogando assim por terra os esforços de mediação da França, Espanha e Suíça.

Além disso, o ex-marido de Betancourt culpou Uribe de "torpedear" as iniciativas da Venezuela e do Equador no conflito, atitude que, de acordo com Delloye, revela que o presidente colombiano "se mantém em guerra contra as Farc".

Delloye mencionou a viagem do ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, à Colômbia para manifestar sua esperança de que conseguirá convencer Uribe de que não há desonra em aceitar as exigências das Farc.

"A vida de Ingrid e de outras centenas de reféns é mais importante", concluiu.

De acordo com diversos testemunhos, Betancourt se encontra em delicado estado de saúde. Nas últimas semanas, cresceu o clamor mundial por sua libertação.

As Farc têm em seu poder um grupo de 40 políticos, soldados, policiais e cidadãos americanos que fazem parte de um grupo que pode ser "trocado" por cerca de 500 guerrilheiros presos. EFE cv/bba/an

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