O ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo foi apontado nesta segunda-feira como enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para a República Democrática do Congo. Obasanjo foi escolhido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon para tentar mediar a resolução da crise no leste do país, que já dura anos e envolve diversos grupos rebeldes.

A crise agravou-se nos últimos dias, com uma escalada de violência.

O ex-líder nigeriano é um diplomata experiente que passou muitos de seus 71 anos lidando com crises tanto dentro quanto fora da Nigéria.

Com um passado militar, Obasanjo é um negociador conhecido também por saber ser diplomático.

Durante suas passagens pelo governo (1976-1993 e 1999-2007), ele foi criticado por passar muito tempo fora do país, mas muitos dizem que suas viagens ao exterior teriam lhe rendido bons contatos e experiência internacional.

Sucesso
Entre suas ações de maior sucesso estão o papel-chave que teve na obtenção de um acordo de paz na Libéria, onde anos de guerra devastaram o país.

Obasanjo também fez parte das negociações com o regime do apartheid, na África do Sul, para tentar libertar Nelson Mandela.

O status do nigeriano como um ancião africano também deve ter um impacto importante entre os presidentes mais jovens de Ruanda e do Congo, em um continente onde a idade é um sinal importante de respeito.

Mas o conflito no leste da República Democrática do Congo é bastante complicado, já que envolve ódio étnico, apropriação de recursos naturais e poderosos interesses estrangeiros.

O novo primeiro-ministro do país, Adolphe Muzito, deverá visitar a cidade de Goma, em meio a preocupações com milhares de pessoas que fugiram do local por causa dos confrontos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon também disse que vai viajar para a região.

Goma está cercada por forças rebeldes, que expulsaram tropas do governo. Cerca de 250 mil pessoas fugiram para o campo, mas muitas já voltaram para a região e enfrentam falta de abrigo e comida.

A França pediu o envio de mais soldados para reforçar a tropa de paz da ONU, que atualmente conta com 17 mil pessoas.

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