Quito, 22 mai (EFE) - O ex-presidente do Equador Rodrigo Borja confirmou hoje sua renúncia para ocupar a Secretaria-Geral da União de Nações Sul-americanas (Unasul) por divergências com a maioria dos 12 presidentes do bloco, cujo tratado constitutivo está previsto para ser assinado amanhã em Brasília.

Em entrevista coletiva em Quito, Borja disse que, quando aceitou a Secretaria, há um ano, foi por sua "vocação integracionista" e por considerar que a Unasul devia dar a resposta à "ordem internacional da 'pós-guerra fria'", caracterizada pela formação de grandes blocos de Estados e gigantescas corporações transnacionais.

No entanto, admitiu sua "frustração" ao comprovar que os Estados sul-americanos não aceitaram que a Unasul seja a instituição que manipule a integração regional que, para ele, "depois deve se ampliar a todos os países da América Latina e do Caribe".

Também mostrou sua divergência com a "falta de vigor institucional" que será dado à Unasul no tratado que será assinado em Brasília e a criação de um órgão executivo de 12 membros, um por país, que deixará "à Secretaria-Geral muito poucas e reduzidas competências".

O desafio atual, na opinião de Borja, "é avançar da integração subcontinental, a cargo da Comunidade Andina (CAN) e do Mercosul, até a integração continental sul-americana".

Com essa integração na nova organização, Borja queria buscar os "efeitos sinérgicos da união, a força multiplicada para que os 12 países pudessem promover e defender seus legítimos direitos e interesses no âmbito internacional".

Nestas circunstâncias, o ex-presidente equatoriano considerou que, sem mecanismos fortes de integração, aguarda a América Latina "uma fraqueza vital para fazer prevalecer e defender seus interesses".

Em sua opinião, "o que será aprovado amanhã é um fórum antes que um grupo orgânico", pelo que considerou que se privilegiará a "teoria e a retórica" das quais "a América Latina já está cansada, porque os fóruns não são eficazes".

"É difícil reconhecer que as empresas privadas foram mais visionárias que os Estados de nossa América em recorrer ao recurso da integração", disse Borja, enquanto previu que essas transnacionais "têm sem dúvida o desígnio de suplantar os Estados" e formar "impérios".

A renúncia de Borja, que o ex-governante social-democrata enviou aos 12 presidentes sul-americanos, que lhe confiaram a Secretaria-Geral da Unasul em 16 de abril de 2007 na ilha venezuelana de Margarita, foi adiantada quarta-feira à noite pelo chefe do Estado do Equador, Rafael Correa.

O presidente equatoriano, também partidário da integração da CAN e do Mercosul na Unasul, disse respeitar a decisão de Borja e comentou que, provavelmente, ele teria feito o mesmo se estivesse na mesma situação.

Para Correa, que hoje viajará para Brasília, a elaboração do estatuto de constituição da Unasul foi encarregado a comandantes médios dos países da região, que atuaram como uma "burocracia" interessada em defender seus espaços e interesses particulares.

"A burocracia é o inimigo que é preciso vencer" na região, disse Correa, que assinalou que não está de acordo com deixar à Secretaria permanente da Unasul em um posto secundário na tomada de decisões.

O presidente equatoriano disse que, para ele, a Secretaria permanente deveria ter maior poder de decisão para avançar agilmente no processo de integração entre o Mercosul e a CAN. EFE cho/db

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