Ex-ladrão Ronald Biggs será libertado na Grã-Bretanha

Por Stefano Ambrogi LONDRES (Reuters) - O ex-criminoso Ronald Biggs, famoso no Brasil e na Grã-Bretanha por seu envolvimento no Assalto ao Trem Pagador, em 1963, será libertado por causa da sua saúde frágil, disse na quinta-feira o secretário britânico de Justiça, Jack Straw.

Reuters |

Biggs fugiu da cadeia nos anos 1960 e passou décadas foragido no Brasil, onde se tornou quase uma lenda com sua vida de playboy, desafiando de modo petulante as autoridades britânicas.

O britânico, hoje com 79 anos, voltou voluntariamente ao seu país em 2001, e desde então está preso. Seu estado de saúde gera um debate sobre soltar ou não um homem que cumpriu apenas 10 dos seus 30 anos de prisão.

"O sr. Ronald Biggs foi informado hoje da minha decisão a respeito da sua solicitação para uma libertação caritativa por razões médicas", disse Straw, revertendo uma decisão tomada há um mês contra a libertação.

"As evidências médicas mostram claramente que o sr. Biggs está muito doente e que seu estado se deteriorou recentemente, culminando na sua reinternação hospitalar. Seu estado não deve melhorar", acrescentou.

Detido na localidade de Norwich, no leste da Inglaterra, Biggs foi internado com uma infecção torácica.

Em 1963, junto com 11 comparsas, Biggs roubou um trem postal que ia de Glasgow a Londres, levando 2,6 milhões de libras - ou 30 milhões de libras (49 milhões de dólares) em valores de hoje.

O crime se tornou conhecido na Grã-Bretanha como "O Grande Roubo do Trem", mas no Brasil foi chamado de "Assalto ao Trem Pagador", nome emprestado de um filme brasileiro da mesma época.

Biggs foi preso e condenado no ano seguinte, mas fugiu após 15 meses de pena. Usou sua parte do dinheiro para pagar uma cirurgia plástica e comprar documentos falsos, com os quais viajou para a Austrália, onde retomou seu antigo ofício de carpinteiro e decorador. Posteriormente viajou via Panamá e Venezuela para o Brasil. Após tornar-se uma figura folclórica da vida carioca e ter um filho no Brasil, rendeu-se em 2001, após 36 anos de fuga.

Straw disse que inicialmente rejeitou o indulto porque Biggs "não demonstrou remorso por seus crimes nem respeito pelas punições que lhe foram impostas." Afirmou, no entanto, que mudou de ideia após levar em conta o estado terminal do detento.

Biggs passará mais uma noite sob guarda carcerária e será libertado na sexta-feira, segundo o Ministério da Justiça britânico.

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