Existe un vínculo genético entre o ritmo biológico e o risco de diabetes

O vínculo entre o ritmo biológico, por meio da melatonina, um hormônio que intervém no sono, e um aumento do risco de diabetes ficou patente num estudo genético com 23.000 pessoas na França, Dinamarca e Finlândia.

AFP |

Estas pesquisas, dirigidas pelo professor Philippe Froguel, do Instituto Pasteur de Lille (França), e do Imperial College London, em colaboração com colegas dinamarqueses e finlandeses, foram publicadas neste domingo pela revista especializada Nature Genetics.

Estes resultados serã confirmados por outros dois estudos divulgados de forma simultânea.

As mutações (anomalias) do gene que produz o "receptor MT2" da melatonina, uma molécula situada na superfície das células sobre as quais se fixa o hormônio para atuar, ocasiona um aumento do açúcar no sangue e incrementa o risco de desenvolver a forma mais freqüente de diabetes, ou seja, diabetes de tipo 2.

O risco pode aumentar em até 20%, explicou o professor Froguel.

A melatonina é principalmente secretada por uma glândula do cérebro, a glândula pineal, em função das percepções da retina, ou seja, a luz ou a escuridão.

A molécula-receptor MT2 está presente na retina, no nervo óptico, no cérebro e nas células pancreáticas, que secretam insulina, que, por sua vez, reduz o nível de açúcar no sangue. A diabestes é justamente a fabricação insuficiente de insulina.

Os ritmos biológicos influenciam na duração e qualidade do sono, no humor e no metabolismo.

As mutações observadas estão acompanhadas por perturbações no ritmo biológico em 24 horas, os chamados ritmos circadianos, provocando uma produção anormal de insulina. Essas perturbações estão, por sua vez, associadas com a obesidade.

"Um sono ruim favorece a obesidade e se observa depressão nos pacientes, antes, inclusive, que apareça a diabetes", destaca o pesquisador.

No entanto, até agora, se desconhecia o vínculo molecular entre todas essas patologias, explicou.

Esta descoberta sobre o papel da melatonina esclarece as relações entre a diabetes e a depressão e poderá contribuir para um melhor tratamento de doenças crônicas que afetam milhões de pessoas.

Os receptores de melatonina são, por outra parte, alvo de um novo medicamento antidepressivo, a gomelatina (que comercialmente se denomina Valdoxan/Thymanax, dos laboratórios Servier e Novartis), que logo será colocado à venda na Europa, destacaram.

BC/pcm/cn

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