Ex-interrogador do Khmer diz não lamentar mortos no regime

Por Ek Madra PHNOM PENH (Reuters) - Um ex-interrogador da conhecida prisão S-21 do Khmer Vermelho não demonstrou nesta terça-feira nenhum remorso pela morte de milhares de cambojanos, que, segundo ele, eram todos criminosos.

Reuters |

Mam Nay, também conhecido como Chan, apareceu como testemunha de acusação no julgamento de Duch, chefe da prisão S-21, do regime de Pol Pot, negou ter tomado parte na matança ou tortura de prisioneiros e acusou os Estados Unidos e o Vietnã de terem prejudicado seu país.

Cerca de 1,7 milhão de pessoas morreram durante os quatro anos de reinado de terror dos "campos da morte" do Khmer Vermelho, que terminou quando forças vietnamitas invadiram o Camboja em 1979.

Quando os juízes lhe perguntaram se lamentava o que aconteceu na prisão de Tuol Sleng, onde foram mortos mais de 14.000 homens, mulheres e crianças, Chan não demonstrou nenhum remorso.

"A única coisa que lamento foi a invasão de nosso país", disse ele ao tribunal conjunto do Camboja e ONU. "Falando francamente, os americanos nos invadiram, depois os vietnamitas nos invadiram. É isso que eu lamento."

Durante suas cinco horas de testemunho, Nay, um ex-professor, disse se lembrar muito pouco do centro de interrogatórios da S-21, local que foi uma escola e hoje abriga um museu dos horrores do regime do Khmer Vermelho.

Ele obteve imunidade em troca de seu testemunho, mas relutou em falar contra Duch, que é o primeiro dos cinco ex-integrantes do quadro militar do Khmer Vermelho a ir a julgamento.

"Fui designado por Duch para interrogar detentos", disse Chan, que vestia óculos escuros e um xale tradicional cambojano. "Não recorri à tortura em meus interrogatórios. Eu achava que não obteria uma confissão verdadeira."

Sobre a morte de pessoas inocentes, Nay, de 76 anos, disse: "Nenhum deles era inocente - aquelas pessoas cometeram crimes, pequenos ou graves. Esse foi o motivo de sua prisão. Não sei se eram pequenos ou graves."

Como não há pena de morte no Camboja, Duch, cujo nome verdadeiro é Kaing Guek Eav, pode pegar no máximo prisão perpétua se for condenado por crimes de guerra, crimes contra a humanidade, tortura e assassinato.

Também foram indiciados o segundo homem no comando do Khmer Vermelho, Nuon Chea, o ex-presidente Khieu Samphan e o ex-ministro de Relações Exteriores Ieng Sary e sua mulher. Todos eles negaram ter conhecimento de atrocidades.

O líder do Khmer Rouge, Pol Pot, conhecido no regime como "Irmão Número Um", morreu em 1998 perto da fronteira do país com a Tailândia.

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