Ex-inquilino de Josef Fritzl diz que pagou contas de luz do cativeiro

Viena, 2 mai (EFE) - Um ex-inquilino de Josef Fritzl, o homem que manteve sua filha Elisabeth trancafiada em um porão durante 24 anos, diz ter certeza de que enquanto viveu na mesma casa pagou, sem saber, a eletricidade consumida pelos habitantes do porão. Sepp Leitner é um garçom que, no início dos anos 1990, alugou por quatro anos um apartamento de 30 metros quadrados no andar de baixo da casa de Fritzl, na localidade austríaca de Amstetten, informou hoje o jornal de Viena Die Presse. Em entrevista ao periódico, ele afirma que nunca ouviu qualquer barulho suspeito, mas que chamou sua atenção as exorbitantes contas de luz, pelas quais teve uma briga com Fritzl. Apesar disso, o garçom acabou tendo que pagá-las.

EFE |

Hoje, se arrepende profundamente de não ter perguntado mais, pois está convencido de que se o tivesse feito, o macabro segredo mantido pelo dono do imóvel teria sido descoberto bem antes.

Segundo Leitner, sua conta de luz correspondente a um trimestre era de 5 mil xelins austríacos (350 euros).

Na época, ele conversou com outros inquilinos e, ao comparar as faturas, deduziu que a sua não deveria passar de poucas centenas de xelins, e não só por seu imóvel ser pequeno.

O garçom explica que quase não tinha eletrodomésticos, nem sequer uma máquina de lavar roupa - levava sua roupa suja para a casa da mãe - e porque ficava dias fora de casa.

Ele percebeu que, mesmo desligando todas as fontes de consumo elétrico, o medidor de luz continuava marcando.

Leitner afirmou que tentou investigar as causas deste estranho fato com um técnico eletricista, mas não obteve sucesso.

"Se tivesse continuado escavando até revelar o segredo das contas de eletricidade, talvez há muito tempo teria encontrado o esconderijo" minuciosamente construído por Josef Fritzl, que era eletricista.

O garçom lembra de ter visto com freqüência Fritzl "entre 22h e 23h entrando no jardim, sempre com sacolas de compras".

De acordo com ele, os inquilinos eram proibidos de usar o grande jardim do imóvel, entrar no porão ou utilizar o terraço, e também de ter animais domésticos.

Mas, apesar disso, Leitner comprou um cachorro com a esperança de que Fritzl não descobrisse, mas o cão chamou a atenção, gerando um novo motivo de briga com o locatário que, finalmente, o levou a deixar o apartamento.

O garçom lembra que o cachorro costumava "assustar-se muito" às noites e pensa agora que foi porque o animal sentia os habitantes de baixo.

Além disso, acredita saber agora a razão de outro mistério: muitas vezes sumia comida de sua geladeira, e o mesmo acontecia com outros inquilinos. Sabiam que o dono da casa tinha uma chave que abria todos os quartos, mas não podiam imaginar que tivesse necessidade de roubar comida.

Hoje, Leitner tem certeza de que os alimentos desaparecidos eram levados a Elisabeth e aos três filhos que viviam com ela. EFE wr/db

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