Exilados cubanos criticam decisão da UE de retirar sanções a Cuba

Miami, 19 jun (EFE).- Dois grupos do exílio cubano em Miami criticaram hoje a decisão da União Européia (UE) de retirar as sanções diplomáticas a Cuba, embora tenham chamado de aceitável o reconhecimento outorgado à oposição interna da ilha.

EFE |

Carlos Alberto Montaner, presidente da União Liberal Cubana, disse à Agência Efe que "teria preferido que fossem mantidas as sanções".

No entanto, "acho que o compromisso conseguido é aceitável na medida em que se defendem claramente os direitos e um espaço político para a oposição democrática", apontou.

"O mais importante é que no vocabulário da declaração seja reconhecida a oposição muito além, a chama, como deve ser, de os democratas e é pedido o respaldo e a solidariedade para os democratas da oposição. Acho que isso é o que é necessário resgatar dessa declaração", afirmou o escritor cubano.

Orlando Gutiérrez, secretário nacional do Diretório Democrático Cubano (DDC), qualificou a resolução atingida hoje pelos 27 ministros de Assuntos Exteriores da UE como uma "irresponsabilidade e claudicação por parte do Governo espanhol".

A UE impôs medidas diplomáticas a Cuba depois que 75 opositores foram condenados a penas de até 28 anos de prisão na chamada "primavera negra" de 2003 em julgamentos sumaríssimos.

No entanto, Gutiérrez também considerou que embora a curto prazo a decisão adotada pareça uma "vitória para o Governo cubano, a longo prazo acabará em uma derrota para o regime, porque a UE reconheceu a oposição democrática como atores legítimos com os quais Cuba tem que lidar em um diálogo com a UE".

"Acho que a remoção das sanções é inaceitável, mas acabará como um bumerangue para o Governo cubano", afirmou.

O DDC, a União Liberal Cubana e outras organizações do exílio cubano pediram na terça-feira aos 27 países do bloco que mantivessem as sanções diplomáticas contra o Governo de Cuba até que uma mudança democrática na ilha caribenha ocorresse, os direitos humanos fossem respeitados e os presos políticos fossem libertados. EFE so/bm/db

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