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Ex-guerrilheiros das Farc são os primeiros gerentes da paz na Colômbia

Bogotá, 6 mar (EFE).- Karina, uma das mais sanguinárias guerrilheiras das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e Oliveira Saldaña, criador do movimento mãos pela paz que objetiva a deserção em massa de rebeldes, serão libertados nos próximos dias pelo Governo colombiano para se transformarem nos primeiros gerentes da paz do país.

EFE |

A medida foi oficializada pelo ministro do Interior e de Justiça colombiano, Fabio Valencia Cossio, que disse nesta quinta-feira que o Governo "tomou a decisão de suspender a reclusão de Elda Neyis Mosquera García, conhecida como 'Karina', e de Raúl Agudelo Medina (conhecido como 'Oliveira Saldaña')".

O ministro explicou que os dois ex-guerrilheiros das Farc, "atuarão como gerentes de paz, assumindo todas as responsabilidades e deveres que tão importante tarefa implica".

Acrescentou que os beneficiados expressaram "formalmente sua vontade de paz e de contribuir com a aplicação efetiva do direito internacional humanitário, assim como seu compromisso de renunciar a toda atividade ilegal".

O Governo colombiano oferecerá a eles as condições de segurança necessárias para que possam desempenhar sua missão como "gerentes da paz" e manterá sobre eles a supervisão permanente através do Instituto Nacional Penitenciário e Carcerário (Inpec).

Ainda não se sabe com exatidão a missão que vão cumprir como "gerentes de paz", medida anunciada em 7 de fevereiro pelo presidente colombiano Álvaro Uribe.

O Governo também notificou na quarta-feira passada que suspenderá as ordens de detenção e concederá a liberdade condicional a guerrilheiros que desertem e entreguem sequestrados que estejam em seu poder, de acordo com um decreto que entrou em vigor em 27 de fevereiro.

"Karina", também conhecida como Nelly Ávila Moreno - esteve à frente de um ataque perpetrado pelas Farc em 2002, que causou a morte de 13 soldados e quatro policiais colombianos no departamento de Caldas.

É acusada de perpetrar ataques violentos contra desmobilizados do Exército de Libertação Nacional (ELN), ao mando da Frente 47 das Farc que atuava nos departamentos de Risaralda, Chocó e parte de Antioquia.

"Karina", junto com seu companheiro conhecido como "Michín", se entregou às autoridades em 18 de maio de 2008, no departamento de Antioquia, após uma forte pressão do Exército A desmobilizada manifestou em suas aparições públicas que as Farc estão "dizimadas" e "rachadas", da mesma forma que fez apelos para que seus companheiros deponham as armas.

"Oliveira Saldaña", capturado em agosto de 2004, foi o fundador do movimento "Mãos pela paz", que procura que os guerrilheiros abandonem as armas e se reintegrem à vida civil.

Em várias ocasiões o fundador das Frentes 21, da "Tulio Barón", da coluna "Norma Patricia Galeano", da "Héroes de Marquetalia" e da coluna móvel Daniel Aldana, pediu aos chefes das Farc que respeitem a decisão dos guerrilheiros de se desmobilizarem.

O Governo colombiano não disse a data em que os novos gerentes da paz deixarão seus lugares de reclusão, medida que será oficializada através de decretos.

Em meados de julho de 2007, o Governo colombiano libertou, a pedido do Governo da França, Rodrigo Granda, o chamado "chanceler das Farc", para que colaborasse na libertação da então prisioneira colombo-francesa Ingrid Betancourt e de outros reféns em poder dos rebeldes.

No entanto, Granda retornou às fileiras guerrilheiras. EFE ocm/ma

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