A votação nas eleições presidenciais deste domingo em El Salvador foi encerrada e pesquisas de boca de urna sugerem uma vitória apertada do candidato de esquerda Mauricio Funes. Mais de quatro milhões de salvadorenhos foram às urnas para escolher entre o candidato de esquerda, do partido Frente Farabundo Marti para a Libertação Nacional (FMLN), e o candidato de direita, Rodrigo Ávila, do partido Arena, organização que está no poder há 17 anos.

Segundo o correspondente da BBC na Cidade do México Stephen Gibbs, muitas pessoas foram para as filas nas zonas eleitorais antes do amanhecer, entusiasmados com a participação no que pode ser a eleição presidencial mais disputada da história do país.

Os dois candidatos representam partidos cujas origens estão ligadas à guerra civil de El Salvador.

O FMLN era uma organização guerrilheira marxista durante a guerra civil que aconteceu no país entre 1980 e 1992, mas Funes é o primeiro líder do partido que não tem um passado revolucionário.

O jornalista de 49 anos representa uma mudança de estilo para o partido e sua melhor chance para chegar ao poder. A escolha de Funes foi vista como uma tentativa de conquistar eleitores moderados.

Recentemente, o FMLN já havia conquistado o maior número de cadeiras nas eleições parlamentares.

O candidato do Arena, Rodrigo Ávila, é chefe da Polícia Civil do país e afirma que Funes transformará El Salvador em uma espécie de satélite venezuelano.

Com um estilo de campanha considerado mais agressivo, Ávila afirma que, se Funes vencer, ele vai tentar impor um socialismo ao estilo venezuelano no país.

No entanto, segundo analistas, Ávila enfrenta a decepção dos eleitores com o partido governante em um momento marcado por problemas econômicos no país.

Funes, por sua vez, nega que vá ingressar na zona de livre comércio Alternativa Bolivariana para as Américas, criada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez e composta por Venezuela, Bolívia, Cuba e Nicarágua.

De acordo com Stephen Gibbs, Funes prefere se apresentar como um político moderado e a favor dos negócios, que quer manter boas relações com os Estados Unidos. Em sua campanha eleitoral, Funes até afirmou ter se inspirado pelos presidentes Barack Obama e Luiz Inácio Lula da Silva.

A promessa de Funes é a da criação de um novo modelo político, "de acordo com as necessidades de El Salvador". Ele afirma que vai manter acordos de livre comércio já firmados e pediu a confiança dos empresários do país.

Segundo o correspondente da BBC o vencedor da eleição presidencial deste domingo irá governar um país que tem uma das mais altas taxas de assassinato do mundo e uma economia que foi duramente atingida pela crise mundial.

O país ainda não se recuperou da guerra civil que matou mais de 70 mil pessoas e deixou uma herança de violência.

El Salvador tem taxas de assassinato de 67,8 para cada 100 mil habitantes. A média dos demais países latino-americanos é de 24,8 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

O assassinato de dois simpatizantes do FMLN, dias antes da votação em Nejapa, ao norte da capital San Salvador, aumentou a tensão política no país.

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