Ex-governante libanês derrubado pela Síria reúne-se com Al-Assad

Damasco, 3 dez (EFE).- O ex-general Michel Aoun, um dos principais líderes cristãos do Líbano, reuniu-se hoje em Damasco com o presidente da Síria, Bashar al-Assad, 18 anos após o pai do atual dirigente sírio derrubar seu Governo em Beirute.

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Após a histórica reunião, o ex-governante de um Líbano dividido durante o último ano da guerra civil (1975-1990), disse aos jornalistas que os problemas do passado tinham sido superados e descreveu a visita como uma oportunidade "para abrir uma nova página nas relações" entre os dois países.

Segundo ele, "aquelas diferenças foram fruto de um mal entendido" e não de "inimizade".

Apesar disso, o general cristão voltou a culpar pela deterioração das relações com o anterior regime sírio a "a má administração do poder no Líbano" e as diferenças com seus inimigos libaneses.

Aoun disse que tinha falado com Bashar al-Assad "com transparência" e insistiu em que o objetivo principal da reunião era distender as relações e trabalhar pelos interesses comuns.

O general cristão tornou-se peça-chave da guerra civil libanesa em 1988 quando, ocupando o cargo de comandante-em-chefe do Exército libanês, assumiu o Governo do país sem consenso com as outras forças.

O então primeiro-ministro, o muçulmano sunita Selim el Hoss, negou-se a reconhecer seu Governo e, com o respaldo da comunidade muçulmana libanesa e da Síria, se opôs ao líder cristão.

Sem presidente e com dois Governos, o Líbano voltou a um crescimento da guerra civil qual sofria desde 1975.

O conflito bélico chegou a seu fim em setembro de 1990, quando o Parlamento libanês aprovou um acordo de conciliação nacional assinado na cidade saudita de Taif.

Aoun, que se negou a reconhecer os acordos e a nova autoridade, fugiu, buscando asilo político em Paris, onde viveu exilado até maio de 2005.

"Tenho a honra de enfrentar o passado e não fugir dele. Não vou a apagar o passado da minha memória para não repetir os mesmos erros", disse.

A visita do opositor libanês, que durará três dias, foi muito criticada pela maioria parlamentar libanesa que se declara abertamente anti-Síria e acusou Aoun de tentar buscar o apoio sírio para as próximas eleições libanesas, previstas para o início de 2009. EFE gb-hh-jfu/jp

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