Ex-governador libertado pelas Farc pede troca humanitária a Uribe

Villavicencio (Colômbia), 3 fev (EFE).- O ex-governador do departamento (estado) colombiano de Meta Alan Jara, libertado hoje pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após mais de sete anos em cativeiro, propôs ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, uma troca humanitária urgente e um diálogo político como única opção para acabar com a guerra e o sequestro no país.

EFE |

Jara, sequestrado em 15 de julho de 2001, quando um grupo das Farc interceptou o veículo da ONU no qual se encontrava, hoje comemorou sua libertação com emocionantes mostras de carinho à esposa, ao filho, aos amigos e, sobretudo, aos companheiros que continuam em poder das Farc, aos quais se referiu como "irmãos".

Porém, o ex-refém foi duro com o presidente Uribe ao dizer que até nos territórios palestinos são fechados acordos humanitários e que a Colômbia continua sem conseguir o seu.

"Digo com clareza. Sinto de todo coração que Uribe não fez nada pela nossa liberdade", declarou.

Jara frisou que "a atitude do presidente Uribe não ajudou em nada numa troca humanitária nem na libertação dos prisioneiros".

A troca à qual Jara se referiu é a que foi proposta pelas Farc, que se dispôs a entregar um grupo de reféns se, em contrapartida, o Governo soltar cerca de 500 guerrilheiros presos.

Num determinado trecho da entrevista que concedeu em Villavicencio, capital de Meta e onde pousou a missão humanitária que o resgatou, Jara avisou que diria uma "perversidade".

Em seguida, afirmou que, pela atitude do governante, parece "que lhe convém a situação de guerra que o país vive", e também parece que as "Farc gostam de Uribe no poder".

Jara explicou o porquê de suas palavras: "Os fatos que sempre partem de uma ou outra direção apontam para o mesmo. Não há avanço na troca humanitária, não há avanço no diálogo político".

Além disso, afirmou que as Farc "não estão debilitadas em nada", ao confirmar que "lá há muitos, a maioria jovens".

Com essa declaração, deu fé ao constante recrutamento de colombianos pelas Farc, apesar dos golpes militares sofridos pela guerrilha.

Jara também disse que a decisão das Farc de liberar unilateralmente seis reféns "pode indicar um caminho político" para o conflito no país.

Antes da entrevista coletiva do ex-governador, o presidente da Colômbia disse que a entrega dos reféns representa uma esperança para os que vivem o flagelo do sequestro.

Da cidade caribenha de Santa Marta, Uribe disse que neste acontecimento há um elemento comum: "Uma grande alegria esperando o fim de um sequestro e uma grande alegria assistindo aqui ao nascimento de uma esperança".

"Esta esperança, em grande parte, nasce porque a pátria veio derrotando o terrível flagelo do sequestro", afirmou Uribe, que em seguida disse que esse tipo de crime caiu de 3,7 mil casos em 2000 para 194 no ano passado.

Resultados da chamada "política de segurança democrática" imposta por Uribe quando chegou ao Governo em 2002, mas que hoje foi questionada por Jara.

"Tudo o que ouvi foi sobre a força e o sucesso da política de segurança democrática. Se esta política é tão forte, será que um acordo humanitário é capaz de fazê-la cambalear? A segurança democrática não pode ser frágil", disse Jara, antes de agradecer, comovido, às gestões de Piedad Córdoba para sua libertação. EFE erm/sc

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