Ex-general Bussi chora durante reinício de julgamento na Argentina

Buenos Aires, 8 ago (EFE).- O ex-general argentino Antonio Bussi misturou choro com acusações e justificações hoje, no reinício da primeira audiência de seu julgamento por violações dos direitos humanos cometidas na última ditadura militar do país, entre 1976 e 1983.

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Bussi, que é considerado um significativo repressor do regime ditatorial, chegou de cadeira de rodas à sede do tribunal, na província de Tucumán, e não abandonou o balão de oxigênio que também o acompanhou nesta terça-feira, na primeira audiência do julgamento, que teve que ser interrompida quando ele sofreu uma crise nervosa.

O réu, de 82 anos, estava com um aspecto abatido quando escutou o resto da acusação do tribunal, mas depois leu com grande lucidez um extenso texto no qual defendeu a ação da ditadura, ao apontar que impediu a instalação no país de "um Governo satélite do comunismo".

Ele defendeu que a figura do "desaparecido" foi "um arbítrio psicológico criado pelos guerrilheiros para encobrir suas mortes em combate", e explicou, repetidas vezes, que nos anos 70 a Argentina estava "imersa em uma guerra e em estado de sítio".

A esse respeito, explicou que Tucumán, a 1.200 quilômetros ao noroeste de Buenos Aires, foi "o principal palco da agressão marxista-leninista que a Argentina sofria".

"Eram grupos equipados e instruídos militarmente com apoio estrangeiro. Não eram jovens idealistas, eram mercenários, traidores da pátria, delinqüentes terroristas subversivos", disse Bussi que foi interventor de Tucumán durante a ditadura e governou essa província após ser eleito nas urnas com a retomada da democracia.

Ele chorou várias vezes durante sua alegação: uma delas quando falou de seu "precário" estado de saúde, e outra ao lembrar os "50 mil habitantes de Tucumán" que se despediram dele quando deixou seu cargo constitucional.

Acusou ainda os juízes de terem caído em uma "aberração jurídica", ao "omitir sistemática e deliberadamente o marco histórico da guerra", que, em sua opinião, imperava no país durante os chamados "anos de chumbo".

O ex-general disse que tinha chegado "ao limite de sua capacidade física e psíquica" ao concluir sua alegação, apesar de ter respondido depois a várias das perguntas da Promotoria.

Antonio Bussi, que sofre de problemas cardíacos, está sentado no banco do Tribunal Oral Federal de Tucumán acusado de seqüestro, tortura e desaparecimento em 1976 do ex-senador Guillermo Vargas Aignasse.

Segundo números oficiais, 18 mil pessoas desapareceram durante a última ditadura argentina, embora organismos de direitos humanos elevem a cifra para 30 mil. EFE cw/bm/gs

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