Washington, 5 jun (EFE).- O Governo dos Estados Unidos acusou hoje Walter Kendall Myers, um ex-funcionário do Departamento de Estado do país, e sua esposa, Gwendolyn Steingraber Myers, de espionar para Cuba durante 30 anos.

Os dois foram detidos ontem por agentes do FBI (Polícia federal americana) e compareceram hoje a um tribunal de Washington, informou o Governo dos EUA.

Walter Myers, de 72 anos, era conhecido como "Agente 202", enquanto sua mulher, de 71 anos, usava nomes como "Agente 123" e "Agente E-634", segundo o FBI. Ambos enfrentarão uma pena máxima de 35 anos de prisão caso condenados.

De acordo com o Governo americano, Walter Myers - que tinha autorização para ver documentos com o selo "Top Secret" - entregava informação confidencial para Havana desde 1979, ajudado por sua esposa, que trabalhava em um banco.

Myers foi professor no Instituto de Serviço Diplomático do Departamento de Estado americano e posteriormente analista de informação de inteligência sobre a Europa, posto durante o qual teve acesso às bases secretas de dados dos EUA.

De acordo com as investigações, entre agosto de 2006 e outubro de 2007, quando se aposentou, Myers viu mais de 200 relatórios secretos ou "delicados" sobre Cuba.

O FBI acumulou provas contra o casal em uma operação secreta iniciada em abril, na qual um agente se fez passar por um membro do serviço de inteligência de Cuba.

Myers supostamente aceitou lhe dar informações sobre a Cúpula das Américas, que ocorreu em Trinidad e Tobago em abril deste ano e sobre funcionários do Governo americano encarregados da política de seu país na América Latina.

Além disso, o casal contou ter passado uma tarde com Fidel Castro em 1995 e reconheceu ter recebido mensagens cifradas do Serviço de Inteligência Cubano, segundo o FBI. EFE cma/bba

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