Ex-executivo diz que James Murdoch sabia da dimensão dos grampos

Antigos funcionários alegam que Murdoch tinha conhecimento desde 2008 que as escutas telefônicas não eram ação isolada

iG São Paulo |

James Murdoch sabia há mais de três anos que as escutas telefônicas ilegais feitas no tabloide News of the World, da News Corp., iam além da ação de um repórter, disse a parlamentares britânicos o ex-chefe do conselho legal da News International (braço britânico da News Corp.), Tom Crone, contradizendo os depoimentos dados por Murdoch ao Parlamento em julho. Além de Crone, outros três executivos deram seus depoimentos ao comitê do Parlamento nesta terça-feira.

Reuters
Depoimentos de Colin Myler e Tom Crone contradizem alegações dadas por James e Rupert Murdoch ao Parlamento

"Ele tinha consciência que a News of the World estava envolvida, e que isso abarcava pessoas além de Clive Goodman", afirmou Crone em referência ao ex-editor sobre assuntos relacionados à Família Real britânica preso no início de julho . O depoimento de Crone foi apoiado por Colin Myler, o último editor do tabloide. "Todo mundo sabia perfeitamente a gravidade da discussão", acrescentou Myler.

Um parlamentar questionou quem havia autorizado o pagamento de US$ 400 mil a Goodman, depois de descobertos os grampos telefônicos. Em carta aos parlamentares, James Murdoch tinha dito que foi Chapman, com Daniel Cloke, chefe de recursos humanos na News International.

No entanto, os dois acusados negaram esta afirmação. Eles testemunharam que foi Les Hinton, um dos consultores de confiança de Murdoch, que autorizou a quantia. Hinton foi o mais alto executivo a se demitir no escândalo.

Ao comitê que investiga as alegações de que as escutas ocorreram em uma escala industrial e eram acobertadas por executivos sêniores, Crone também disse que o ramo de jornais britânicos da News Corp. contratou jornalistas free lance para bisbilhotar a vida privada de advogados que atualmente representam as vítimas das escutas, lançando dúvidas sobre a recente postura apologética da empresa.

"Eu vi algo relacionado a dois dos advogados", disse ele ao comitê parlamentar. Ao ser questionado se ele sabia a fonte da informação, respondeu: "Jornalistas free lance contratados pela News International".

A News Corp foi tragada pelo escândalo de escutas telefônicas desde que se revelou, em julho, que a prática ilegal se estendia além de celebridades e políticos, incluindo vítimas de assassinatos como a estudante Milly Dowler , e os mortos de guerra britânicos.

Crone repetiu que havia explicado a James Murdoch em 2008 o significado de um importante email obtido por uma vítima das escutas, que continha transcrições de mensagens de voz interceptadas e não relacionadas ao repórter que serviu de bode expiatório e que já estava na prisão.

"Esse documento significava um envolvimento maior da News International", disse Crone ao comitê, quando foi instado a explicar o que havia dito a Murdoch em uma reunião que contou com a presença de Myler.

Myler e Crone disseram que o email intitulado "para Neville" foi a única razão pela qual Murdoch aprovou um pagamento de 700.000 libras (US$ 1,1 milhão) para a vítima, o executivo de futebol Gordon Taylor.

Em resposta, a News International afirmou que os depoimentos de seus ex-funcionários são "obscuros e contraditórios". James Murdoch disse em comunicado que continua certo de suas afirmações feitas em julho, alegando que "nem o Sr. Myler ou o Sr. Crone me disseram que havia alguma infração além da praticada por Goodman ou (Glenn) Mulcaire"

Murdoch, que assumiu o controle das operações europeias da News Corp no final de 2007, disse várias vezes que não sabia na época sobre o email "para Neville" nem que as escutas telefônicas eram algo disseminado. Ele forneceu provas ao comitê e pode voltar a ser questionado.

* Com AP e Reuters

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