Ex-espião, Robert Gates tem a missão de encerrar guerra no Iraque

Elvira Palomo Washington, 1 dez (EFE).- Robert Gates, atual secretário de Defesa, permanecerá à frente do Pentágono no novo Governo de Barack Obama, com a missão de canalizar a guerra do Afeganistão e preparar o fim da presença militar no Iraque.

EFE |

Gates trabalhou sob seis presidentes diferentes, entre eles os dois George Bush, pai e filho, aos quais não se importou dizer as coisas como as via.

Apesar de ocupar cargos em diferentes administrações republicanas e, durante os últimos dois anos, ter sido o principal estrategista da Guerra do Iraque, ele se declara independente.

Um fato significativo foi o rotundo "não" que pronunciou quando, ao assumir o cargo de secretário de Defesa, em 2006, o Senado lhe perguntou se os Estados Unidos estavam vencendo a Guerra no Iraque.

"O que estamos fazendo agora não é satisfatório", disse, mostrando-se propício a mudar de tática porque, como afirmou então, "deixar o Iraque no caos teria conseqüências perigosas tanto na região como em nível mundial durante muitos anos".

Gates, que fez parte do Conselho de Segurança Nacional, foi diretor da CIA e teve um papel-chave em diferentes capítulos da história recente, será uma dessas pessoas que fornecerá cabelos brancos e experiência ao Governo de Obama em um momento de difícil conjuntura internacional.

Com sua nomeação, Obama, além de assegurar uma transição moderada na área de Defesa, uma dos assuntos mais delicados para o país, cumpre assim outra de suas promessas eleitorais, a de incluir em seu gabinete pelo menos uma pessoa vinculada aos republicanos.

"Robert Gates foi um dos melhores secretários de Defesa que tivemos em muito tempo e tem muito sentido lhe pedir que continue no cargo, especialmente, para manter um ambiente de estabilidade nas forças armadas que hoje enfrentam duas guerras ao mesmo tempo", disse recentemente Ivo Daalder, assessor da equipe de transição de Obama.

Nascido em 25 de setembro de 1943 no Kansas, Gates formou-se em Administração e Direção de Empresas em 1965; um ano mais tarde obteve mestrado em História pela Indiana University e, em 1974, tornou-se doutor em Língua e História da Rússia pela Georgetown University.

Sua vida profissional esteve muito ligada à Rússia. Uma vez que ingressou na CIA (agência de inteligência americana) em 1966, onde desempenhou diferentes cargos, ele foi oficial de inteligência nacional para a União Soviética.

Em 1974, passou a fazer parte do Conselho de Segurança Nacional, onde foi assessor dos presidentes Richard Nixon, Gerarld Ford e Jimmy Carter.

Gates foi consolidando sua carreira dentro da CIA; nomeado subdiretor em 1982, em 1991, assumiu a direção da Agência com o desafio de remodelar a espionagem americana para adaptá-la ao novo panorama internacional, após o fim da Guerra Fria.

Desempenhou um papel-chave durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, assim como na crise dos reféns do Irã, em 1979, e na invasão soviética ao Afeganistão, também em 1979.

Além disso, foi o primeiro chefe da espionagem americana a visitar a Rússia e, em 1992, apoiou a abertura dos documentos secretos sobre a morte do presidente John F. Kennedy, no mesmo ano em que concluiu seu mandato com a chegada do democrata Bill Clinton à Casa Branca.

Também chegou a ser decano da escola George Bush de Governo e Serviço Público e, depois, presidente de uma das maiores universidades dos EUA, a A&M do Texas, cargo no qual esteve até assumir a Secretaria de Defesa, em 2006.

Em seu histórico, porém, também há uma mancha que impediu sua primeira tentativa de se tornar chefe da CIA em 1987, com a rejeição do Partido Democrata.

Embora nunca se tenha chegado a apresentar acusações contra ele, Gates foi investigado por suspeita de conhecimento do desvio de fundos ilegais procedentes da venda de armas ao Irã para financiar os rebeldes "Contras" da Nicarágua, a fim de derrubar o Governo do Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).

Em sua biografia "From the Shadows" ("Das sombras", 1996), ele defende a decisão da CIA de realizar operações encobertas, algo que -segundo ele- ajudou os EUA a vencerem a Guerra Fria.

Sua experiência no Iraque levou-o a se tornar membro da Comissão independente sobre a guerra nesse país, presidida pelo ex-secretário de Estado James Baker e pelo democrata Lee Hamilton, da qual foi membro até ser nomeado secretário de Defesa.

Gates assumiu o cargo em meio a crescentes pressões para mudar o rumo da Guerra do Iraque. Agora, com Obama, será o encarregado de fixar os alicerces para o fim de uma disputa que, desde seu início, em 2003, provocou a morte de 4 mil soldados americanos. EFE elv/jp

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