Exército tailandês reprime manifestação contra o governo

Por Martin Petty BANGCOC (Reuters) - Tropas tailandesas dispararam tiros de fuzil contra manifestantes no centro de Bangcoc, nesta segunda-feira, e os ativistas reagiram com bombas de gás e pedras, agravando a crise política na Tailândia.

Reuters |

Por volta de 17h20 (7h20 de Brasília), um repórter da Reuters viu soldados avançarem numa área controlada pelos manifestantes, perto da sede do governo. Fontes hospitalares disseram que houve pelo menos 67 feridos, sendo quatro baleados, inclusive dois soldados.

Os confrontos representam o auge de dois dias de manifestações que levaram ao cancelamento de uma cúpula regional, gerando constrangimentos para o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, no cargo desde dezembro, mas já acuado pelos manifestantes.

"Acredito que os dias mais negros da história da Tailândia ainda estão por vir, já que não vemos uma solução rápida para a atual divisão", disse Prinn Panitchpakdi, analista da CLSA Asia-Pacific.

A violência de segunda-feira começou ainda de madrugada, e se concentrou nos arredores de um dos principais entroncamentos viários da cidade, o Din Daeng, que foi bloqueado pelos manifestantes "camisas vermelhas".

Os soldados passaram a usar jatos d'água depois que manifestantes leais ao ex-premiê Thaksin Shinawatra jogaram algum tipo de combustível na pista, ameaçando provocar um incêndio.

Os militares acabaram expulsando os manifestantes do entroncamento, prendendo vários deles e tirando suas camisas vermelhas.

Foi a primeira grande demonstração de força da oposição desde que Abhisit decretou estado de emergência em Bangcoc, no domingo.

O general Songkitti Chakabakr, principal comandante militar do país, disse em declaração televisionada que a comissão encarregada de restaurar a ordem pública vai usar "todos os meios pacíficos" para normalizar a situação rapidamente.

A comissão, chefiada por ele, tentará não usar a força, mas autoriza o emprego de armas para autodefesa e para proteger os direitos dos demais tailandeses, acrescentou o militar.

No ano passado, quando políticos apoiados pelos "camisas vermelhas" estavam no poder, os "camisas amarelas" (agora no governo) praticamente paralisaram a capital com suas manifestações durante dias, inclusive ocupando os aeroportos da cidade durante uma semana.

(Reportagem adicional de Vithoon Amorn, Kittipong Soonprasert, Panarat Thepgumpanat e Andrew Marshall)

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