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Exército tailandês ameaça dispersar camisas vermelhas à força

Bangcoc, 20 abr (EFE).- O Exército tailandês advertiu hoje aos manifestantes antigovernamentais camisas vermelhas que os dispersará à força caso tentem ocupar o distrito financeiro de Bangcoc, enquanto os líderes dos protestos ameaçam fazer uma nova concentração em massa.

EFE |

Caso os manifestantes se aproximem da Silom Road (centro financeiro), "as forças de segurança usarão gás lacrimogêneo". Se eles a atravessarem, "os soldados utilizarão balas de verdade", afirmou à imprensa o porta-voz do Centro de Resolução de Situação de Emergência, o coronel Sansern Kaewkamnerd.

Segundo o militar, as forças de segurança - mais de 50 mil homens mobilizados em Bangcoc contra os protestos - agirão caso os "camisas vermelhas" decidam sair de seu acampamento base.

"Deixamos muito claro que os oficiais não atirarão para matar, mas têm o direito a defender suas próprias vidas", acrescentou o coronel.

A disputa de hoje entre o Governo e os opositores terminou depois que estes cancelaram a passeata que haviam previsto fazer na rua Silom. Por enquanto, os manifestantes concentrarão suas forças na parte antiga da cidade.

O centro financeiro de Bangcoc amanheceu novamente vigiado por centenas de soldados que protegem a área diante da ameaça dos "camisas vermelhas" de levarem para lá seus protestos.

Um dos lugares mais vigiados é a sede do Bangcoc Bank, que continua cercado para conter os manifestantes, seguidores da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, que acusam a instituição financeira de ter apoiado o golpe de Estado que depôs em 2006 o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.

A Frente representa a plataforma civil usada por Shinawatra para pressionar nas ruas de Bangcoc o Governo com o objetivo de recuperar o poder e cujos membros se distinguem por roupas .

A advertência das autoridades foi aceita pelos manifestantes. "O Governo pode ter elaborado um plano para nos prejudicar, portanto não iremos (ao centro financeiro). Voltaremos lá apenas quando os soldados tiverem recuado", orientou aos manifestantes Natthawut Saikua, um dos líderes da Frente.

Outro dirigente dos "camisas vermelhas", Weng Tojirakarn, disse ter a intenção de continuar os protestos por meios pacíficos, mas somente até um limite.

"Caso o Governo faça um novo ataque, ele que se prepare para uma guerra civil", indicou o opositor.

O coronel Sansern Kaewkamnerd acusou a Frente Unida de estar armazenando armas caseiras, como bombas ácidas.

A mobilização antigovernamental começou em 14 de março com uma concentração de 100 mil pessoas em Bangcoc e transcorreu sem violência até o dia 10 de abril. Neste dia, cinco soldados, 18 manifestantes e um cinegrafista japonês morreram nos confrontos entre soldados e manifestantes em uma ponte de Bangcoc.

O Gabinete aprovou hoje um fundo de 25 milhões de bat (US$ 777.242) para indenizar os 24 mortos e 874 feridos daquele confronto, dos quais pelo menos 100 permanecem hospitalizados.

O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, segue realizando reuniões ministeriais no quartel do 11º Regimento de Infantaria, onde instalou seu escritório antes do início dos protestos.

As autoridades tentaram primeiro impedir os opositores com a Lei de Segurança Interna e depois com o estado de exceção, vigente em Bangcoc e zonas divisórias desde 7 de abril, sem sucesso. Em seguida, propuseram convocar eleições em seis meses, mas os "camisas vermelhas" exigem a imediata dissolução do Parlamento.

O primeiro-ministro atribuiu na sexta-feira passada ao chefe do Exército, Anupong Paochinda, a responsabilidade de restabelecer a ordem em Bangcoc.

"Todos queremos que isso acabe logo, mas temos que minimizar os danos e fazê-lo de maneira eficaz", disse Vejjajiva na segunda-feira à noite durante seu último discurso televisionado.

"Sabemos que o povo está sofrendo, mas as autoridades devem proteger Silom", acrescentou o líder, referindo-se ao distrito financeiro.

A Tailândia atravessa uma profunda crise política, fruto da disputa entre críticos e partidários de Shinawatra, deposto no golpe de Estado de 2006 e condenado em 2008 a dois anos de prisão por crime de corrupção. EFE tai/sa

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