Exército sai às ruas após estado de exceção na Tailândia

Gaspar Ruiz Canela. Bangcoc, 12 abr (EFE).- O Governo da Tailândia colocou hoje os soldados e carros de combate nas ruas de Bangcoc após decretar o estado de exceção, a fim de acabar com os protestos dos manifestantes que buscam a renúncia do primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva.

EFE |

O estado de exceção em Bangcoc e em cinco províncias vizinhas foi declarado pelo primeiro-ministro um dia depois que os protestos forçassem o cancelamento de uma cúpula asiática, que a Tailândia organizava na turística cidade de Pattaya.

"O Governo teve que decretar o estado de exceção para restaurar a normalidade o mais rápido possível", disse Vejjajiva, ao ler um comunicado.

Em resposta a essa medida, cerca de 50 manifestantes conseguiram passar sem resistência pelos soldados que protegiam o Ministério do Interior, onde Vejajiva tinha anunciado minutos antes a entrada em vigor do estado de exceção.

Outros manifestantes exaltados, com paus e armas de fogo, lançaram-se sobre o carro oficial de Vejjajiva, mas o Governo não esclareceu se o primeiro-ministro estava a bordo no momento do ataque.

Segundo o vice-ministro do Interior tailandês, Thaworn Senneam, o chefe do Governo sofreu um leve ferimento no braço e foi atendido pelos médicos após o incidente, durante o qual um número indeterminado de manifestantes e policiais ficaram feridos a tiros.

O Exército bloqueou todas as ruas de Bangcoc que levam ao Palácio do rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, situado entre a parte antiga e a nova de Bangcoc, enquanto as Forças Armadas posicionaram unidades do Exército, da Marinha e da Força Aérea em pelo menos outros 50 pontos da metrópole, assim como em vários bairros da periferia, afirmou o Comando Supremo.

Cerca de mil de agentes antidistúrbios, com gás lacrimogêneo, foram enviados o Palácio de Governo, onde ficaram a pouca distância de cerca de 10 mil ativistas da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, que bloqueiam os acessos ao edifício, observou a Agência Efe.

Enquanto isso, grupos de manifestantes da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, plataforma política do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, reuniram-se em torno da sede do Governo, cujos acessos estão bloqueados há duas semanas, e perto da Direção Geral da Polícia e de vários ministérios.

Shinawatra, deposto pelos militares em 2006 por um golpe de Estado, vive exilado desde que, no ano passado, foi condenado à revelia a dois anos de prisão pelo crime de abuso de poder.

Além disso, um grupo de manifestantes antigovernamentais tomou dois veículos blindados do Exército que estavam nas imediações de um dos maiores shoppings da capital, de acordo com relatos de testemunhas tomados pela rádio.

Em mensagem emitida por uma emissora de rádio afim aos manifestantes, Jatuporn Promphan, um dos mais importantes líderes da Frente, pediu que os "camisas vermelhas" saíssem às ruas de Bangcoc para forçar a queda do Governo.

Jakrapob Penkair, ex-ministro do Governo de Shinawatra, disse que os partidários da Frente estavam preparados para "lutar contra o brutal Governo de qualquer forma possível", e afirmou que, com a declaração do estado de exceção, "Vejjajiva tem os dias contados".

"Coloquem fim aos protestos. O Governo precisa aplicar as medidas contidas no decreto do estado de exceção para restabelecer a paz na nação", disse o governante, em discurso retransmitido a toda a nação pela televisão e rádio.

No começo da manhã, a Polícia deteve Arisman Poongruengrong, o principal líder dos cerca de 300 manifestantes que ontem invadiram a sede da cúpula asiática, da qual os dirigentes da região foram retirados de helicópteros do terraço de um dos edifícios.

Antes, em seu comparecimento semanal na televisão, o primeiro-ministro anunciou que a Justiça tinha emitido ordens de detenção contra os líderes dos protestos antigovernamentais.

No final do ano passado, os críticos de Shinawatra, chamados de "camisas amarelas", ocuparam a sede governamental durante quatro meses e bloquearam os dois aeroportos de Bangcoc por uma semana.

Os protestos chegaram ao fim quando o Tribunal Constitucional dissolveu o Governo formado por aliados de Shinawatra e favoreceu, assim, a escolha de Vejjajiva como primeiro-ministro pelo Parlamento, graças ao apoio de políticos "infiéis". EFE grc/an

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