Exército resgata presidente do Equador em hospital

Dia foi marcado por protestos de militares que deixaram ao menos um morto e vários feridos

iG São Paulo |

O presidente do Equador, Rafael Correa, chegou ao Palácio de Carondelet, a sede do Executivo do país, após ser resgatado por forças militares do hospital onde estava cercado por policiais rebelados contra um  decreto do governo que prevê a eliminação de incentivos profissionais .

Segundo canais locais, a operação para retirada de Correa do hospital ocorreu em meio a uma confusão do lado de fora devido a um tiroteio entre os rebeldes e militares leais ao governo. Mais cedo, Correa havia dito em entrevista por telefone a uma emissora local que sairia "como presidente ou cadáver". 

AFP
Policial ferido em enfrentamentos é socorrido em protestos contra o decreto do governo

O ministro de Segurança Interna e Externa do Equador, Miguel Carvajal, disse que os protestos das forças de segurança do país deixaram um morto e "alguns" feridos.

Em meio à crise institucional que levou a reuniões de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União de Nações Sul-americanas (Unasul), o vice-presidente do Equador, Lenín Moreno, afirmou que o presidente Rafael Correa é vítima de uma tentativa de sequestro.

Em Caracas, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou que Correa é refém dos policiais. Chávez destacou que tentou falar com Correa em quatro ocasiões e foi informado por ele que estava "sequestrado" no hospital da polícia, acompanhado por um reduzido grupo de colaboradores, e que temia por sua vida.

Já o comandante da polícia do Equador, general Freddy Martínez, negou que Correa tenha sido sequestrado por membros dessa instituição.

"Não, não está sequestrado", respondeu o oficial, afirmando que a segurança do chefe de Estado "está garantida" nessa clínica, onde recebe atenção médica. "Temos de protegê-lo. O presidente está no hospital, está sendo atendido pelos médicos do hospital, sei que seu estado é normal", acrescentou.

Do lado de fora, o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, e simpatizantes de Correa tentam entrar no hospital policial. Os manifestantes, policiais e militares, gritavam palavras de ordem contra o governo diante do Hospital da Polícia, no norte de Quito, enquanto alguns rebelados tentavam entrar no quarto de Correa.

Policiais em torno do hospital disseram à imprensa que "vão derrubar a lei aprovada pelo Legislativo. Vamos ficar aqui o tempo que for necessário", garantiu um agente sob anonimato.

Na zona do hospital há grande confusão, com bombas de gás lacrimogêneo explodindo e policiais circulando em carros e motocicletas, enquanto alguns funcionários tentam montar uma operação para retirar o presidente do local e levá-lo ao Palácio de Carondelet, sede do Executivo.

EUA

Juntamente com vozes de líderes e instituições que representam países latinoamericanos , a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, pediu ao Equador que trabalhe pelo restabelecimento "rápido e pacífico" da ordem, perante os distúrbios gerados pelos protestos de policiais em rejeição à eliminação de alguns incentivos profissionais.

"Pedimos a todos os equatorianos que se unam e trabalhem no marco das instituições democráticas para alcançar um restabelecimento rápido e pacífico da ordem", disse Hillary em comunicado emitido pelo Departamento de Estado.

A Secretária assegurou que os EUA seguem de perto os eventos no Equador e condenam a violência e o caos: expressamos nosso total apoio ao presidente Rafael Correa e às instituições de governo do país.

Em solidariedade ao Equador, Colômbia e Peru fecharam as fronteiras com o Equador.

Depois de permanecer a quinta-feira toda fechado, o aeroporto de Quito foi reaberto.

*Com Ansa, Reuters, EFE e AFP

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