Exército prende primeiro-ministro da Guiné-Bissau, mas nega golpe

Militares dizem ter agido para impedir invasão de tropas da Angola que premiê usaria para 'aniquilar' forças nacionais

iG São Paulo |

Soldados prenderam o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Jr., informou um porta-voz militar nesta sexta-feira. No entanto, em comunicado divulgado pela TV estatal, o Exército negou se tratar de um golpe de Estado e disse não estar “buscando poder” mas, sim, impedir a invasão do país por tropas da Angola.

Há boatos de que o presidente interino do país, Raimundo Pereira, também foi preso. De acordo com o comunicado do Exército, Gomes iria permitir a entrada de tropas angolanas, que como a Guiné-Bissau foi uma colônia de Portugal, para atacar os militares. “O governo quer usar forças estrangeiras para aniquilar as forças nacionais”, disse a nota.

Leia também: Soldados cercam residência de premiê da Guiné-Bissau

AP
O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Junior, faz campanha na capital, Bissau (16/03)

A Guiné-Bissau tem um histórico de golpes e revoltas militares, e atualmente está no meio de um processo eleitoral para a escolha do sucessor do presidente Malam Bacai Sanhá, que morreu em janeiro, em Paris, após longa doença.

Gomes Jr. esteve perto de conseguir a maioria absoluta no primeiro turno da eleição, no mês passado. Seu adversário do segundo turno em 29 de abril, Kumba Yala, e quatro outros candidatos prometem boicotar a votação por causa de supostas fraudes no primeiro turno.

A crise política no país se intensificou na quinta-feira, quando tiros foram disparados e morteiros foram lançados na capital do país. Os distúrbios aconteceram poucos dias depois de a Angola - ascendente potência econômica africana - anunciar o encerramento de uma missão de assistência militar na Guiné-Bissau, instituída em 2010 com a intenção de acabar com os golpes militares que assolam o país desde a independência, em 1974.

Em comunicado divulgado na noite desta quinta-feira, o governo brasileiro disse que acompanha “com grave preocupação os incidentes violentos” na Guiné-Bissau. De acordo com a nota, o Brasil participará na sexta-feira em Lisboa de uma reunião emergencial convocada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Com AP e Reuters

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