Islamabad, 14 mai (EFE).- O Exército paquistanês realizou hoje a primeira troca de prisioneiros com talibãs locais no marco das negociações iniciadas pelo Governo no conflituoso cinturão tribal paquistanês, que faz fronteira com o Afeganistão, para acabar com o terrorismo.

Em um encontro com uma delegação de meios de comunicação espanhóis, o porta-voz do Exército, Athar Abbas, explicou que 30 talibãs capturados na demarcação tribal do Waziristão foram libertados em troca de 12 membros das forças de segurança paquistanesas, entre os quais se encontravam dois oficiais.

"Essa decisão inscreve-se dentro do processo de negociações de paz e responde a uma ordem do Executivo provincial - da Fronteira do Noroeste NWFP", matizou Abbas, acrescentando que os talibãs libertados eram militantes "insignificantes".

"Eram suspeitos que tinham entre dois e três meses de prisão", explicou à Agência Efe uma fonte do Exército.

Essa é a primeira troca de prisioneiros realizada após as eleições legislativas de fevereiro e a formação dos Governos nacional e provinciais.

O Executivo paquistanês deu uma reviravolta em sua política contra o terrorismo e apostou no diálogo com os militantes que optarem por depor as armas, uma intenção que gera inquietação nos EUA.

Além disso, o Governo quer promover o desenvolvimento econômico do empobrecido cinturão tribal, como estratégia para fazer frente ao extremismo.

É justamente o Governo da NWFP - região castigada pela violência fundamentalista - o que mais esteve inclinado às negociações, já que em várias áreas operam grupos insurgentes.

Abbas acrescentou que nas negociações está em jogo a dignidade do Exército, já que desde 2001 mais de 1.000 membros das forças de segurança morreram como conseqüência da violência no Paquistão, e outros 2.000 ficaram feridos. EFE igb/fb

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