Exército paquistanês lança ofensiva contra militantes fundamentalistas

O exército paquistanês lançou neste sábado uma ofensiva contra militantes fundamentalistas do noroeste do país, perto da cidade de Peshawar, pouco depois do líder máximo do talibã paquistanês encerrar as conversações de paz com governo.

AFP |

Apoiados por tanques, os soldados mataram um militante e destruíram a casa do líder do movimento islamita que havia tomado o controle do distrito tribal de Jyber, fronteira com o Afeganistão, e que começava a ameaçar Peshawar.

Esta é a primeira operação militar lançada pelo novo governo desde que iniciou conversações com os talibãs, após ganhar as eleições locais em fevereiro, apesar de fontes oficiais alegaram que o alvo da operação, o líder rebelde Mangal Bagh, não possui relação com os talibãs.

"O objetivo final é o de restaurar a autoridade do governo", disse à imprensa, em Peshawar, o líder da força militar Corpo Fronteiriço, Mohamad Jatak Alam.

"Assumimos o controle da área. Esta manhã impusemos um toque de recolher", disse, indicando que a operação poderá durar entre cinco dias e uma semana.

A televisão mostrou imagens de tanques e tropas que participaram da operação. De acordo com fontes oficiais, os soldados dispararam morteiros contra as posições dos militantes.

"As forças de segurança demoliram a casa do nosso comandante e nosso centro principal, mas decidimos não lutar. Nós não somos talibãs", disse à AFP o comandante Wahid, porta-voz do grupo rebelde de Bagh, o Lashkar-eIslam.

Um vizinho, Mohammad Kabir, disse à AFP que a situação era tensa, e que um grande número de tropas paramilitares estava patrulhando as ruas. "Todos os mercados estão fechados. As tropas tomaram todos os pontos de entrada e saída."

A operação ocorre após uma série de ataques a policiais e a membros das tribos,além do seqüestro de doze cristãos de Peshawar essa semana, cometidos por estes militantes que procuram estabelecer um regime de estilo Talibã na área.

Os homens de Bagh também assaltaram vários caminhões na passagem de Jyber, principal rota de abastecimento das tropas americanas e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que combatem os talibãs no vizinho Afeganistão.

Jatak disse apenas que a ofensiva "não é contra um grupo específico, mas contra os criminosos. Houve apenas uma vítima, um militante que disparou contra as forças de segurança", afirmou.

Um porta-voz da Tehreek-e-Taliban no Paquistão, o movimento talibã paquistanês, Maulvi Omar, negou que Bagh tenha laços com seu grupo. "Nós respeitamos seu compromisso com a lei islâmica, mas não temos qualquer relação direta ou indireta com ele", disse à AFP.

A ofensiva coincide com o anúncio de que os talibãs paquistaneses suspenderam as negociações com Islamabad, em resposta à continuada violência das forças de segurança contra seu grupo.

"Suspendemos as conversações de paz com o governo porque ele utiliza constantemente a força contra nós", disse à AFP Baitulá Mehsud - um alto membro dos talibãs paquistaneses - de seu feudo no Waziristão do Sul, distrito vizinho do Afeganistão.

"O governo não demonstra nenhum tipo de seriedade", disse, advertindo Islamabad que, caso seja "tomada qualquer ação militar", os talibãs estarão dispostos ao "martírio".

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