Exército paquistanês anuncia vitória em breve contra os talibãs em Swat

O secretário de Defesa do Paquistão, Syed Athar Ali, afirmou neste domingo que a ofensiva contra os talibãs no noroeste do país pode terminar em dois ou três dias, ao mesmo tempo que os combates prosseguem entre o Exército e os extremistas.

AFP |

As autoridades anunciaram no sábado a recuperação Mingora, capital de Swat, enquanto em Cingapura, durante um fórum sobre segurança, Syed Athar Ali afirmou que três distritos do noroeste estão praticamente sem rebeldes talibãs.

"As operações em Swat, Buner e nas áreas próximas já foram praticamente concluídas com sucesso", afirmou o secretário.

"Restam apenas de 5 a 10% do trabalho e esperamos que nos próximos dois ou três dias os focos de resistência serão despejados", completou.

Ao mesmo tempo, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) se declarou seriamente preocupado com a situação humanitária no distrito de Swat, noroeste do Paquistão, onde conseguiu chegar pela primeira vez desde o início de maio.

"A organização está seriamente preocupada com a crítica situação dos civis em Swat e pensa que exige uma resposta humanitária rápida e global", afirma o CICV em um comunicado.

A Cruz Vermelha lembrou que não tinha acesso desde o início de maio à região, onde o Exército paquistanês enfrenta os talibãs, e se declarou "alarmada" com que foi visto.

"Não existe mais água corrente nem eletricidade. Os alimentos são escassos. Não há combustível para os geradores e a maioria das instalações médicas do distrito já não funcionam", afirmou o funcionário do CICV Daniel O'Malley, que conseguiu chegar às zonas de combate com uma equipe.

O Exército prossegue com os combates contra os talibãs, mas a recuperação de Mingora constitui uma mudança crítica no curso da ofensiva iniciada há um mês em uma região que fica a apenas 100 km de Islamabad.

Washington, que respalda sem reservas a operação militar, havia advertido que os rebeldes ameaçavam a própria existência do Paquistão e identificou o país, assim como o vizinho Afeganistão, como centrais na guerra contra o terrorismo.

"Tentamos acabar com os líderes mais importantes dos milicianos e os perseguimos constantemente", afirmou o major Athar Abbas, porta-voz dos militares.

Na segunda-feira, o Exército anunciou que recuperaria a cidade em sete ou dez dias. No mesmo dia, a ONU informou que a quantidade de civis deslocados pelos combates se aproximava de 2,4 milhões de pessoas, ou seja, um aumento de 700.000 em três dias.

O Exército afirmou que matou 1.100 talibãs desde que começou a ofensiva nos distritos de Baixo Dir, Buner e Swat e que perdeu apenas 66 militares. No entanto, as autoridades nunca citam perdas civis e se contentam em dizer que fazer tudo para reduzi-las ao máximo, mas às vezes são "invitáveis".

Mas a ofensiva militar provocou uma crise humanitária grave, segundo a ONU.

As zonas tribais do noroeste, fronteiriças com o Afeganistão, são consideradas um reduto dos talibãs afegãos que contam com bases de retaguarda. Mas há dois anos, os insurgentes paquistaneses avançaram além, em especial para o Vale do Swat, a 100km de Islamabad.

O governo paquistanês prometeu na sexta-feira uma recompensa de 50 milhões de rúpias (mais de 600.000 dólares) pela captura, morto ou vivo, do chefe da rebelião no Vale do Swat.

Até agora, as autoridades da Província da Fronteira do Noroeste ofereciam cinco milhões de rúpias por Maulana Fazlullah, líder religioso que organizou um levante armado há dois anos para obter a instauração da sharia (lei islâmica) na região.

A ofensiva aumenta os temores de atentados talibãs em outras regiões do país como represália.

Peshawar, capital da Província da Fronteira do Noroeste, e Lahore, capital do distrito de Punjab (leste), a segunda cidade do país em termos de populaçãom com sete milhões de habitantes, registraram ataques nos últimos cinco dias, com a morte de 39 pessoas e centenas de feridos.

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