Exército ocupa palácio presidencial de Madagáscar

ANTANANARIVO - Tanques e tropas de Madagáscar tomaram controle do palácio presidencial e do Banco Central nesta segunda-feira. A ocupação ocorreu após os militares se unirem ao líder da oposição, Andry Rajoelina, em sua disputa pelo poder com o presidente Marc Ravalomanana.

Reuters |

Reuters
Rajoelina acena para platéia em comício
Frente a crescente pressão, Ravalomanana ofereceu nesta segunda-feira a realização de um referendo para deixar as pessoas decidirem quem deve governar o país, mas Rajoelina rejeitou a proposta e pediu às forças de segurança que prendessem o presidente.

O presidente está em outro palácio a cerca de 10 quilômetros de distância. Ele resistia à pressão crescente para que renunciasse pela crise na qual ao menos 135 pessoas foram mortas na ilha do Oceano Índico.

Tiros e explosões foram ouvidos enquanto os tanques entravam no terreno do palácio, mas aparentemente houve pouca resistência, disseram testemunhas da Reuters.

Pouco depois, dois tanques estacionaram diante da principal escadaria do palácio e soldados andavam pelos jardins. Um terceiro tanque ficou estacionado do lado de fora do complexo do palácio.

Desde a independência de Madagáscar da França em 1960, o Exército tem tradicionalmente permanecido neutro durante os períodos de instabilidade política.

O coronel André Ndriarijaona, no entanto, disse em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira: "Se Andry Rajoelina pode resolver o problema, nós o apoiamos." Ele estava acompanhado por autoridades da polícia militar e da polícia nacional.

Christine Razanamahasoa, indicada para ministra da Justiça no governo paralelo de Rajoelina, afirmara mais cedo que estava ordenando a prisão do presidente aos promotores.

Reuters

Soldados escoltam comício de Rajoelina, líder opositor

Antes da invasão do palácio, a União Africana (UA) condenou o que chamou de tentativa de golpe da oposição e pediu que o povo de Madagáscar respeitasse a constituição.

"A situação em Madagáscar é de conflito interno. É uma tentativa de golpe de estado. Condenamos a tentativa de golpe de estado", disse Edouard Alo-Glele, enviado de Benin à Etiópia, após uma reunião de emergência do Conselho de Paz e Segurança da UA.

População descontente

Rajoelina, de 34 anos, ex-disc jockey deposto da prefeitura de Antananarivo no mês passado, afirma que Ravalomanana é um autocrata que governa a ilha como uma empresa privada.

Partidários do presidente classificam Rajoelina como um agitador disposto a chegar ao poder de forma ilegal.

Embora Rajoelina tenha aproveitado o descontentamento da população, em especial com os altos níveis de pobreza, muitos habitantes estão aborrecidos com o levante.

O setor de turismo, que movimenta US$ 390 milhões por ano, está despencando e os investidores estrangeiros nos importantes setores de mineração e exploração de petróleo observam os eventos com nervosismo.

A Organização das Nações Unidas (ONU) enviou Tiebile Drame, ex-ministro das Relações Exteriores de Mali, para mediar a situação.


Leia mais sobre Madagascar

    Leia tudo sobre: madagascar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG