O Exército libanês decidiu revogar neste sábado medidas contra o grupo xiita Hezbollah, que geraram uma onda de violência na capital Beirute que culminou com a tomada de poder de todo o oeste da cidade pelo Hezbollah. O chefe de segurança do aeroporto, que foi demitido por ter ligações com o grupo, foi restituído ao posto, e o Exército afirmou que lidaria com a questão da rede de comunicações do Hezbollah - que tinha sido declarada ilegal pelo governo libanês.

A decisão do Exército ocorreu após o primeiro-ministro, Fuad Siniora, ter feito um apelo para que a instituição reinstale a segurança no país.

Em uma declaração veiculada pela televisão, Siniora disse que seu governo nunca irá declarar guerra contra o Hezbollah, mas que o Estado não poderia mais tolerar que o movimento utilize armas livremente.

"Seu Estado não vai cair no controle dos implementadores de um golpe", disse o premiê.

Mais violência
Horas antes do anúncio, o Hezbollah retirou seus homens das ruas do oeste de Beirute, porém houve mais violência, com pelo menos duas pessoas sendo mortas durante um funeral sunita no oeste da capital libanesa.

No norte do Líbano, pelo menos dez pessoas foram mortas em confrontos entre homens armados.

O Líbano vive uma crise política há mais de um ano e está sem presidente desde novembro do ano passado, quando o pró-Síria Emile Lahoud deixou o cargo.

Desde então, governistas e oposição não conseguem chegar a um acordo para eleger o novo presidente.

Segundo analistas, o governo caminha para o colapso sem que seus aliados árabes, como o Egito e a Árabia Saudita, tenham mostrado, até agora, sua influência para solucionar a crise.

Neste domingo, a Liga Árabe vai se reunir para discutir a crise no Líbano.

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