Exército libanês revoga decisões do governo contra o Hezbollah

Encarregado neste sábado pelo primeiro-ministro Fuad Siniora de restabelecer a paz no país, o Exército libanês não acatou as decisões do governo contra o Hezbollah que desencadearam uma onda de violência e ordenou a todos os homens armados que se retirem das ruas.

AFP |

Ao tomar notícia deste anúncio, a oposição anunciou a desmobilização de seus homens armados, embora tenha indicado que mantinha o movimento de "desobediência civil", segundo o deputado do movimento xiita Amal, Ali Hassan Khalil.

As forças da oposição iniciaram posteriormente sua retirada das ruas da capital.

Em um pronunciamento à nação, Siniora encarregou neste sábado o Exército de aplicar as decisões tomadas na terça-feira pelo governo libanês contra o Hezbollah, classificadas pelo movimento xiita como uma "declaração de guerra".

Essas deram origem a violentos combates entre partidários da maioria parlamentar anti-síria, apoiada pelo Ocidente e militantes da oposição, liderada pelo Hezbollah e apoiada por Damasco e Teerã, que deixaram até o momento 34 mortos, nos piores episódios de violência desde o final da guerra civil (1975-1990).

O Exército decidiu que o chefe da segurança do aeroporto de Beirute, Wafic Chukair, apresentado pelo governo como alguém ligado ao Hezbollah, e que foi destituído na terça-feira, "manterá seu posto" pelo menos até que fique esclarecido se estava a par das câmaras de vigilância instaladas pelo Hezbollah no aeroporto da capital.

Além isso, o Exército "se encarregará de estudar o relatório sobre a rede de telecomunicações" do Hezbollah, que seria investigada pelo governo por "violação da soberania do Líbano".

A formação xiita considera que esta rede é essencial em sua luta contra Israel e "por razões de segurança".

Em um comunicado militar, o Exército também solicitou a "todas as partes (...) que retirem todos os homens armados e liberem as estradas".

Pouco depois deste anúncio, a oposição libanesa ordenou que seus militantes armados se retirem de Beirute e deixou o controle da capital nas mãos do Exército, embora vá manter seu movimento de "desobediência civil", anunciou à AFP um de seus líderes.

O primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, havia criticado a "passividade" do Exército nos combates e exigiu que as Forças Armadas impusessem a segurança no país e retirassem "imediatamente" os homens armados das ruas.

Os soldados haviam recebido ordens de não se envolver nos combates, temendo uma divisão do Exército.

A maioria anti-síria saudou a decisão do Exército porque "abre caminho para uma solução" para o conflito, segundo um de seus líderes, Rafic Hariri.

Pouco a pouco a normalidade voltava neste sábado aos bairros de Beirute Oeste que haviam sido tomados pela oposição. As lojas voltaram a abrir e os cidadãos saíram às ruas.

"A presença de elementos armados diminuiu significativamente e os civis não correm mais perigo", segundo um porta-voz do exército.

Apesar de tudo, pelo menos 16 pessoas morreram em confrontos armados nas últimas horas.

Duas delas morreram quando homens armados abriram fogo contra uma multidão que participava do funeral de um civil sunita morto nos enfrentamentos de sexta-feira.

Outras 14 pessoas, várias delas civis, morreram na cidade de Halba, em confrontos entre membros do Partido Nacional Social Sírio (oposição pró-siria) e militantes da Corrente do Futuro (pró-governamental).

As estradas de acesso ao aeroporto de Beirute, onde nenhum vôo estava previsto, continuavam bloqueadas neste sábado e os estrangeiros abandonaram o país pela estrada que leva à Síria.

bur/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG