Exército libanês estende seu controle, e diz que reprimirá distúrbios no país

Katy Seleme Beirute, 13 mai (EFE).- O Exército libanês está impondo seu controle em todo o país, após anunciar que reprimirá, inclusive pela força, qualquer presença armada ou distúrbio nas ruas.

EFE |

Desde 6h (0h no horário de Brasília), comboios de tropas penetram pouco a pouco nas áreas sensíveis do Líbano, onde os sangrentos combates dos últimos dias entre simpatizantes da oposição e partidários do Governo deixaram mais de 62 mortos e cerca de 200 feridos.

Até o momento, o avanço das Forças Armadas libanesas é feito sem inconvenientes. Ontem à noite, o Exército anunciou que suas "unidades militares reprimirão qualquer infração individual ou coletiva conforme a lei, mesmo que isso implique no uso da força".

Até agora, o Exército é a única autoridade de pé no Líbano. A Presidência do país está vaga desde novembro do ano passado, o Parlamento paralisado há 17 meses, e o Governo só é reconhecido por uma parcela da população.

Poucas horas antes de as Forças Armadas assumirem o controle da segurança, foram registrados enfrentamentos em Trípoli, a principal cidade do norte do país, depois de sete pessoas terem ficado feridas ontem, segundo fontes policiais.

Os enfrentamentos desta madrugada, com armas automáticas, lança-granadas e morteiros, duraram mais de uma hora.

Beirute e as regiões montanhosas do sudeste do Líbano, como Chuf e Aley, também cenários de combates sangrentos, receberam reforços militares, segundo a imprensa local.

Na capital libanesa, a vida retorna aos poucos à normalidade, e o trânsito está voltando às principais avenidas, mas muitas ruas continuam fechadas, assim como o acesso ao aeroporto.

Quase todo o comércio abriu as portas, mas não há movimento. Só há clientes em armazéns e supermercados, assim como cafés que recebem sua clientela habitual, inclusive muitos jovens, que discutem apaixonadamente a atual situação no país.

Há tensão entre as pessoas que andam pelas ruas, algumas para fazer compras e outras indo ao trabalho, e em alguns locais ainda é possível sentir o cheiro de pólvora e de queimado.

Quase não há guardas de trânsito nem milicianos armados, mas podem-se ver grupos de jovens nas portas de alguns prédios, aparentemente preparados para qualquer ação.

Muitos moradores de Beirute, cansados de se trancarem em suas casas, já que não podem nem ir ao trabalho, decidiram sair para a praia.

"Preciso mudar de ambiente. Não suporto mais ficar dentro de casa, acho que ficaria louco", diz o jovem Akram.

Para o dentista Nasrat Neameh, "nenhum político pensa na população civil e nas proezas que deve fazer para sobreviver por causa da grave situação econômica que o país atravessa".

"Se pensassem no povo, nada do que vivemos teria ocorrido", disse, destacando que não acredita na possibilidade de uma paz duradoura.

"A paz será temporária, para permitir que as pessoas respirem um pouco", afirmou.

A guerra da última semana também paralisou o setor da construção, majoritariamente em poder de trabalhadores sírios, que decidiram retornar a seu país até que haja uma verdadeira calma, e diminuam as hostilidades contra eles.

Meios de comunicação locais afirmam que o posto fronteiriço de Aridi, no norte do país, está abarrotado com esses trabalhadores, assim como com libaneses e estrangeiros que tentam fugir do país, enquanto o de Masna, no leste, abre e fecha, de acordo com as circunstâncias.

Ainda não há informações sobre uma eventual reabertura com segurança do aeroporto.

As pessoas que querem sair do país são obrigadas a pagar preços astronômicos, já que as tarifas foram multiplicadas por dez. EFE ks/wr/gs

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