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Exército libanês adverte que vai usar a força se for necessário

O Exército libanês decidiu recorrer à força, caso seja necessário, a partir desta terça-feira contra a presença de homens armados, enquanto mantinha sua mobilização sem conseguir impedir os confrontos entre militantes da maioria governista anti-síria e do opositor Hezbollah.

AFP |

Durante a noite foram registrados novos combates em Trípoli (norte), entre partidários da oposição e da maioria governista.

Após estes enfrentamentos o Exército se mobilizou novamente na periferia dos bairros mais conturbados do norte de Trípoli, onde foram registrados choques entre militantes sunitas que apóiam o governo e alauitas, grupo dissidente do xiismo mas leal ao Hezbollah.

Desde sábado, o Exército mantém sua mobilização em todo o país para tentar evitar que a violência se estenda. Os combates deixaram 61 mortos e quase 200 feridos desde 7 de maio no oeste de Beirute, em Trípoli e nas montanhas drusas, a sudeste da capital.

A partir desta terça-feira às 06h00 (00h00 de Brasília), o Exército decidiu utilizar, caso necessário, a força contra qualquer presença armada.

"Às 09h00 (03h00 de Brasília) não tínhamos conhecimento de nenhum foco de violência nas áreas onde o Exército está mobilizado", declarou à AFP um porta-voz militar.

O jornal An-Nahar, ligado à maioria, explica que esta decisão é o resultado do compromisso das diferentes partes para evitar que a situação fuja de qualquer controle à espera dos resultados de uma mediação da Liga Árabe, que na quarta-feira enviará uma delegação a Beirute.

A oposição, que mantém seu movimento de "desobediência civil", continua fechando algumas estradas, especialmente a que leva ao aeroporto, ao sul de Beirute, o que impede o tráfego aéreo. Também bloqueia a estrada que leva à fronteira com a Síria, no leste.

O Exército, tradicionalmente encarregado de estabelecer a ordem no Líbano, não agiu até agora desde o início da onda violência, a mais sangrenta desde a guerra civil (1975-90).

As divisões dentro do Exército libanês, mosaico de diferentes comunidades que formam o país, levaram ao seu desmembramento durante a guerra civil, antes da desintegração do Estado.

Mas com sua postura de neutralidade o Exército está sofrendo críticas crescentes. "O Exército não só evitou se impor de forma eficaz entre os combatentes, como também fracassou vergonhosamente em proteger os cidadãos", opina a edição desta terça-feira o jornal Orient Le Jour.

Os primeiros enfrentamentos entre os partidários da oposição - aliada do Irã e da Síria - e da maioria - apoiada pelos ocidentais e pela maior parte dos países árabes - explodiram em Beirute no dia 7 de maio.

Foram causados por várias medidas tomadas pelo governo para contrabalançar a influência do Hezbollah, que a corrente xiita interpretou como uma declaração de guerra.

O Hezbollah tomou então o controle do oeste de Beirute após ter expulsado seus rivais sunitas pró-governo. O Exército decidiu depois revogar as decisões governamentais e pediu aos homens armados que se retirassem das ruas.

Os combates ocorrem após 18 meses de paralisia institucional no Líbano, onde a comunidade xiita, junto com uma parcela dos cristãos, reivindica um peso político maior frente à maioria, que reúne sunitas, cristãos e drusos.

Esta crise impede desde novembro a eleição do chefe de Estado. Uma nova sessão parlamentar para a escolha de um presidente, prevista para esta terça-feira, foi adiada para 10 de junho.

Em pleno bloqueio político, os países árabes e ocidentais reiteraram seu apoio ao governo de Fuad Siniora. O presidente americano George W. Bush, que nesta terça-feira inicia uma viagem ao Oriente Médio, advertiu Irã e Síria que a comunidade internacional não permitirá que o Líbano volte ao controle a partir do exterior.

bur-sg/dm/fp

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