Exército lança ataques contra os hotéis Oberoi e Taj Mahal em Mumbai

O exército indiano lançou na manhã desta sexta-feira um ataque com granadas contra o Hotel Taj Mahal, em Mumbai, para eliminar o último militante ainda entrincheirado, que respondeu atirando, assustando os jornalistas que acompanham a situação do lado de fora do prédio.

AFP |

Quatro granadas foram lançadas na parte do hotel onde o terrorista estaria se escondendo. Houve resposta por parte do militante, que atirou na direção dos jornalistas. Uma cinegrafista da AFP foi ferida na perna por um estilhaço e levada para o hospital.

Mais cedo, a polícia havia informado que uma quantidade significativa de explosivos foi encontrada no hotel Taj Mahal, o que pode ter causado "danos maiores".

"Pelo menos um terrorista ou no máximo dois ainda estavam encurralados no saguão do hotel, mas não há mais reféns no prédio, até onde nós sabemos", indicou o chefe da polícia do estado de Maharashtra, A.N. Roy, em entrevista à televisão indiana.

O Taj Mahal foi um dos dois hotéis de luxo de Mumbai atacados na quarta-feira por extremistas, após uma série de atentados coordenados que mataram pelo menos 130 pessoas.

Mais cedo, o chefe da guarda de segurança nacional indiana informu que o Hotel Oberoi/Trident já estava sob controle.

"Estamos revistando de quarto em quarto", informou J.K. Dutt a la prensa, añadiendo que dois islamitas foram mortos nos enfrentamentos.

Vinte e quatro corpos foram encontrados no Hotel Oberoi/Trident de Bombay, segundo chefe da polícia de Mumbai, acrescentando que a operação de libertação do local foi concluída.

"Encontramos 24 cadáveres. A operação está concluída no Hotel Oberoi. Dois terroristas morreram. Achamos que não há mais terroristas no local", afirmou Hassan Gafoor à imprensa.

Durante a ação, pelo menos 93 pssoas, em sua maioria estrangeiros, foram libertadas, mais de 36 horas depois que o hotel foi atacado por extremistas islamitas.

Os hóspedes, entre os quais um bebê, saíram do hotel depois da intervenção da polícia e do exército.

Uma vez libertados, foram levados para hospitais em microônibus da polícia.

Um dos libertados, Muneer Al Mahaj, declarou à imprensa: "Estou com fome e com sede. Quero comer primeiro. Não como há 36 horas. Sobrevivi com biscoitos até que acabaram. Desde ontem não bebo nada".

O vice-presidente do grupo hoteleiro Oberoi, S.S. Mukherji, afirmou que havia 200 pessoas presas no hotel.

Durante a madrugada, comandos militares assaltaram o centro judaico de Mumbai que também estava ocupado por terroristas islâmicos que mantinham vários reféns.

Um grupo de 17 homens desceu de helicóptero sobre o prédio do centro judaico, em meio a um intenso tiroteio e a explosões no local.

Segundo testemunhas, um primeiro grupo, de sete comandos, foi deixado pelo helicóptero, que retornou ao centro judaico com mais dez militares.

A embaixada israelense negou a participação de comandos hebreus no assalto.

Os militares tomaram posição nas escadas e nas sacadas do prédio, enquanto explosões e disparos eram ouvidos pela multidão que acompanhava a operação.

Segundo fontes oficiais, no interior do centro judaico havia vários reféns, incluindo um rabino e cidadãos israelenses. Ao que parece, o local era dominado por três terroristas.

Um diplomata de Israel confirmou que várias pessoas, incluindo alguns israelenses, estavam no interior do centro hebreu.

O centro judaico está no Nariman House, um complexo residencial e comercial que foi um dos objetivos da série de atentados que sacudiram Mumbai na noite de quarta-feira, matando pelo menos 125 pessoas e deixando mais de 300 feridos.

O local abriga um centro de orações e estudos dirigido pelo movimento ultraortodoxo Lubavitch, e recebe vários turistas estrangeiros.

A cozinheira do centro contou ao jornal israelense Haaretz como conseguiu escapar do local com o filho do diretor, de dois anos.

Sandra Samuel, 44, disse ao jornal que se escondeu em um quarto do primeiro andar durante 12 horas, após a invasão do prédio por homens armados. "Fiquei lá até escutar o choro de um menino, que peguei e fugi".

Até o momento, nove extremistas foram mortos nas operações das forças de segurança indianas para libertar os locais invadidos durante os atentados.

Segundo balanço comunicado nesta sexta-feira pelos serviços de segurança, oito estrangeiros morreram e 22 ficaram feridos nos atentados realizados em Mumbai por extremistas islamitas.

"Três estrangeiros são da Alemanha, um é japonês, um canadense e um australiano", informou M.L. Kumawat, chefe da Segurança Interna indiana, que não informou qual a nacionalidade dos outros dois mortos.

Os números se baseiam em informes dos comandos das forças especiais encarregadas de desalojar os extremistas dos hotéis oupados e libertar os reféns.

afp/cn

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG