Exército israelense e milícias palestinas prejudicam liberdade de imprensa

Paris, 2 mai (EFE) - As forças de defesa israelenses e as de segurança da Autoridade Nacional Palestina (ANP), assim como o braço armado do movimento islâmico palestino Hamas, entraram para a lista atualizada de 39 predadores da liberdade de imprensa divulgada hoje pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Os três figuram entre os dez estreantes da lista de predadores 2008, da qual saem cinco, entre eles Fidel Castro, já que o líder cubano cedeu oficialmente o poder a seu irmão Raúl, que tinha sido citado na lista no ano passado. Por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorado amanhã, a RSF divulgou a nova versão de sua lista publicada há sete anos e integrada por responsáveis políticos ou chefes de milícias, de grupos armados e de cartéis da droga que atacam diretamente os jornalistas ou ordenam a seus subordinados que o façam. Geralmente não têm que prestar contas a ninguém pelos graves atentados à liberdade de expressão que cometem. Essa impunidade é uma das maiores ameaças que hoje pesam sobre os profissionais dos veículos de comunicação, segundo a organização de defesa da liberdade de imprensa.

EFE |

Pela América Latina, além do líder cubano Raúl Castro, estão na relação o chefe paramilitar colombiano Diego Fernando Murillo Bejarano, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e os cartéis de droga mexicanos.

As forças de defesa de Israel estréiam entre os "predadores", após atacar os jornalistas que cobrem suas incursões nos territórios palestinos, explica a RSF.

Em abril, um cinegrafista palestino da "Reuters" morreu devido aos disparos de um carro de combate israelense.

Em julho de 2007, outro câmera ficou paralítico depois que um soldado israelense o baleou, mesmo estando caído no solo, lembra.

Nos territórios palestinos, o braço armado do Hamas, em Gaza, e as forças de segurança da ANP, na Cisjordânia, cometeram "graves violações da liberdade de imprensa: reprimem sistematicamente os jornalistas acusados de apoiar o grupo oposto", diz a organização.

Também estréiam como "predadores" o presidente do Turcomenistão, Gurbanguly Berdimuhammedow, já que a imprensa no país continua sob "o controle absoluto" do poder; e, na Somália, o grupo armado Al-Shabaab, o governador e prefeito de Mogadíscio, Mohammed Dhere, e o diretor da agência de segurança somali Mohammed Warsame Darwish.

Entraram na lista ainda o irmão do presidente do Sri Lanka e ministro da Defesa, Gotabaya Rajapakse, e o chefe histórico dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE), Velupillai Prabhakaran; e no Nepal grupos armados radicais que no sul do país submetem a imprensa a "um inferno".

Além de Fidel Castro, deixam a lista de "predadores" o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, que, com sua derrota nas eleições legislativas, perdeu sua "capacidade de prejudicar a liberdade de imprensa".

Outros três dirigentes foram retirados dessa lista, após ser reconhecido alguns avanços: O primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi, que libertou jornalistas presos; o rei da Suazilândia, Mswati III, que há vários anos não comete violações graves contra a liberdade de imprensa; e o líder dos Jovens Patriotas da Costa do Marfim, Charles Blé Goudé.

Ele deixou de incitar a violência contra os jornalistas estrangeiros ou próximos da oposição. EFE al/db

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