Exército israelense diz que não cometeu crimes de guerra em Gaza

Jerusalém 22 abr (EFE).- O Exército israelense afirmou hoje, após completar uma série de investigações internas, que não cometeu crimes de guerra na recente ofensiva militar que lançou na Faixa de Gaza, na qual cerca de 1,4 mil palestinos morreram.

EFE |

Segundo as investigações, que foram dirigidas por cinco oficiais com a categoria de coronel que não estiveram envolvidos nos combates, os soldados israelenses não mataram de forma deliberada "nenhum civil" palestino durante a ofensiva lançada entre 27 de dezembro do ano passado e 18 de janeiro.

"Não encontramos um só caso no qual um soldado tenha disparado contra civis de forma premeditada para matá-los", disse, em entrevista coletiva, o subchefe do Exército, Dan Harel, ao apresentar as conclusões sobre o conflito travado por Israel contra o movimento islâmico Hamas, que controla Gaza desde 2007.

No entanto, reconheceu que suas forças cometeram "erros" e, entre eles, está o que provocou a morte a 21 civis de uma mesma família em Gaza, após a casa deles ter sido atacada, em um erro de identificação dos serviços de inteligência.

O alto oficial ressaltou que "uma parte dos erros e das vítimas foi devido ao 'modus operandi' do Hamas, que consiste em colocar a população na frente (dos combates)".

As comissões analisaram denúncias apresentadas contra o Exército sobre ataques contra civis, infraestruturas, pessoal e instalações médicas, e dependências das Nações Unidas.

Cerca de 1,4 mil palestinos morreram na ofensiva israelense, na maioria civis, incluindo várias centenas de crianças, segundo a apuração feita pelo Ministério da Saúde e pelos hospitais da Faixa de Gaza.

O Exército israelense, segundo suas investigações, avaliou em março o número de mortos em 1,166 mil, e sustentou que 709 deles eram milicianos.

Ao longo do conflito, e principalmente após o término, várias organizações internacionais denunciaram que o Exército israelense cometeu crimes de guerra e pediram a diferentes tribunais que abrissem uma causa judicial contra dirigentes políticos e militares de Israel.

Entre as denúncias abertas, está o uso de munição com fósforo branco em áreas povoadas, proibido pelos tratados internacionais.

Harel confirmou hoje o "uso legal" dessa munição, e disse que, em 7 de janeiro, diante das primeiras críticas internacionais, ordenou a interrupção do lançamento destes projéteis.

A partir dessa data e até o dia 18, quando concluiu a ofensiva, apenas "alguns poucos" projéteis de fósforo foram disparados, porque "a ordem não chegou a todos os soldados".

O militar confirmou também o uso, ao longo de toda a disputa, de projéteis para criar cortinas de fumaça, que também contêm fósforo, mas destacou, neste caso, que o Exército continuará utilizando esse armamento, porque é legal.

Após receber o relatório, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, que dirigiu a ofensiva também como titular da mesma pasta, mas no Governo anterior de Ehud Olmert, comemorou os resultados, que "mais uma vez provam que o Exército israelense é um dos Exércitos mais éticos do mundo", porque "não tem medo de investigar a si mesmo".

Para os palestinos, os resultados destas investigações são irrelevantes, porque, "se os criminosos tivessem a oportunidade de se julgar, as prisões de todo o mundo estariam vazias", disse à Agência Efe um membro da equipe de negociação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Segundo esta fonte, a posição oficial da OLP é que "um tribunal internacional imparcial defina a situação", e então "acataremos exatamente o que disser".

"Para nós, a investigação do Exército israelense não tem nenhuma validade", concluiu. EFE elb-amg/an

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