Exército israelense avança em áreas urbanas de Gaza; mortos passam de 900

Forças israelenses continuam avançando lentamente sobre algumas das áreas mais populosas da Faixa de Gaza, enquanto os ataques aéreos e terrestres contra alvos do grupo militante palestino Hamas continuam. Alguns reservistas convocados pelo Exército estão em ação em solo, mas Israel negou que esteja levando a ofensiva para uma terceira fase, que seria um ataque total à Cidade de Gaza e outras cidades.

Redação com agências internacionais |


Os reservistas estariam garantindo a segurança das regiões já conquistadas por Israel no combates. Os militares israelenses afirmam que milhares de reservistas ainda estão em treinamento e não foram destacados para atuar.

A porta-voz do Exército, Avital Leibovich, afirmou que os soldados continuam o avanço em áreas urbanas.  Os ataques aéreos israelenses continuaram nesta segunda-feira contra 25 alvos pela Faixa de Gaza, segundo informações do Exército.

Os militares também confirmaram ter realizado 12 ataques aéreos contra a Faixa de Gaza na madrugada desta segunda-feira - até agora, a média de ataques diários variava entre 30 e 60.

Informações dão conta de que 30 foguetes palestinos foram lançados contra Israel desde a Faixa de Gaza nesta segunda-feira. Não há informações sobre mortos.

Há também informações de combates violentos ao redor da Cidade de Gaza depois da trégua de três horas de duração para permitir a entrada de ajuda humanitária na região.

Hamas se diz perto da vitória

O Hamas "está perto da vitória" contra o Exército de Israel na Faixa de Gaza, afirmou nesta segunda-feira o primeiro-ministro do movimento radical islâmico, Ismail Haniyeh, em discurso transmitido pela televisão.

"Estamos chegando perto da vitória. O sangue puro que foi derramado não foi derramado em vão, porque vai nos trazer a vitória, graças a Deus", declarou Haniyeh em uma intervenção transmitida pelo canal de TV do Hamas.

Mortos

Fontes em Gaza informam que entre nove e 20 pessoas teriam morrido nos conflitos desta segunda. Autoridades médicas palestinas calculam que 908 pessoas morreram desde o início da ofensiva em Gaza, em 27 de dezembro. Entre as vítimas, 277 seriam crianças.

Do outro lado do conflito, pelo menos 13 israelenses morreram desde o início da ofensiva. Israel está impedindo a entrada de jornalistas estrangeiros na Faixa de Gaza, tornando impossível a confirmação independente do número de mortos na região.

Com a continuidade dos conflitos, um porta-voz da organização de ajuda humanitária Save the Children afirmou que seus agentes não estão conseguindo trabalhar na Faixa de Gaza.

Nós precisamos que a violência pare. Nós precisamos que os ataques parem. Só quando isso acontecer é que nós poderemos operar, disse Benedict Dempsey.

As agências de auxílio humanitário afirmam que a população de Gaza necessita urgentmente de alimentos e auxílio médico.

Avançando

O porta-voz do governo israelense, Mark Regev, afirmou à BBC que a ofensiva debilitou fortemente a máquina militar do Hamas e que Israel está avançando para o fim do jogo.

Israel espera que operação diminua o número de foguetes lançados contra o sul de Israel desde a Faixa de Gaza e ajude a diminuir o apoio ao Hamas.

Regev afirmou ainda que os objetivos isralenses são puramente defensivos. Nós nos recusamos a voltar a uma realidade na qual a população civil israelense é obrigada a conviver com o constante medo de ataques com foguetes do Hamas, disse.

Tanto Israel quanto o Hamas rejeitaram a resolução do Conselho de Segurança da ONU, aprovada na semana passada, que pede um cessar-fogo imediato nos conflitos.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou que ninguém tem a permissão de decidir por nós se podemos atacar.

Bush comenta

Em sua última entrevista coletiva no cargo, Bush disse que o Hamas, vencedor da eleição parlamentar palestina de 2006, e que há 18 meses controla Gaza, precisa agir para melhorar a situação dos 1,5 milhão de habitantes do território.

"Sou por um cessar-fogo sustentado, e uma definição de cessar-fogo sustentado é que o Hamas pare de disparar foguetes contra Israel...Por acaso acredito que é a escolha que o Hamas tem a fazer", disse ele.

Embora tenha manifestado apoio à tese de que Israel age em autodefesa, contra os foguetes que fizeram 22 mortes desde 2001, Bush alertou que o Estado judeu precisa se preocupar com "o pessoal inocente".

Acordo

Ainda na segunda-feira, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, agora enviado especial do chamado Quarteto (grupo formado por Rússia, União Européia, ONU e Estados Unidos para negociações de paz no Oriente Médio), se reuniu com representantes palestinos, israelenses e egípcios no Cairo e disse que existem condições para que se chegue a um acordo de cessar-fogo.

"Tenho esperanças de que possamos finalizar um acordo, mas teremos que trabalhar duro para que ele tenha credibilidade", disse Blair a jornalistas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez novo apelo por um cessar-fogo. "Minha mensagem é simples, direta e precisa: os combatentes devem aceitar um cessar-fogo. Digo às duas partes: "parem já! muitas pessoas morreram", declarou Ban.

17º dia de ataques

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