Na segunda-feira, polícia recebeu ameaça de ataque; rainha viaja à Irlanda para visita história de quatro dias

O Exército irlandês desativou nesta terça-feira uma bomba de fabricação caseira nas redondezas de Dublin, horas antes de a rainha Elizabeth 2ª iniciar uma histórica visita à Irlanda . Segundo informou um porta-voz do Exército, a bomba estava no compartimento de bagagem de um ônibus na localidade de Maynooth, no condado de Kildare.

A bomba foi encontrada na noite de segunda-feira, e a equipe antibombas do Exército produziu uma explosão controlada.

Segundo informações do Exército irlandês, o dispositivo foi achado em um ônibus do lado de fora do Glen Royal Hotel, em Maynooth, no condado de Kildare, uma região pela qual a monarca britânica passará durante a visita de quatro dias. Todos os cerca de 30 passageiros do ônibus privado foram levados para Dublin em outro veículo.

O incidente coincide com as fortes medidas de segurança adotadas no país pela visita da soberana britânica, a primeira de um monarca do Reino Unido desde a independência da Irlanda, em 1922. As autoridades irlandesas montaram a maior operação de segurança da história do país para receber a monarca.

Grupos dissidentes do inativo Exército Republicano Irlandês (IRA) se opõem à viagem, parte da normalização das relações entre os dois países após anos de dificuldades pelo conflito na Irlanda do Norte. A polícia britânica informou na segunda-feira que dissidentes do IRA ameaçaram instalar uma bomba no centro de Londres.

Um porta-voz da Scotland Yard confirmou que a segurança foi reforçada substancialmente na capital britânica após uma ameaça "não específica" no domingo.

A presença policial aumentou visivelmente na cidade, e várias ruas em torno da avenida que liga o Palácio de Buckingham à Praça Trafalgar foram fechadas ao trânsito. Segundo a "BBC", a polícia recebera "um aviso codificado" dos republicanos dissidentes, que se opõem ao processo de paz na Irlanda do Norte.

A rainha Elizabeth 2ª e o príncipe Philip, o duque de Edinburgh, chegam a Dublin para uma visita de quatro dias à Irlanda
AFP
A rainha Elizabeth 2ª e o príncipe Philip, o duque de Edinburgh, chegam a Dublin para uma visita de quatro dias à Irlanda
Visita história

Com seu marido, o duque de Edimburgo, a rainha Elizabeth 2º chegou à Irlanda pouco antes do meio-dia (8h em Brasília). Com um abrigo verde esmeraldo com chapéu da mesma cor em homenagem aos anfitriões, a rainha deixou o avião no aeroporto Baldonnel de Dublin poucos minutos depois para iniciar a visita histórica de quatro dias.

A viagem tem a aprovação de 81% dos irlandeses, segundo uma pesquisa recente, mas a desaprovação dos dissidentes republicanos obrigou as autoridades a mobilizar um dispositivo de segurança sem precedentes.

Quase 10 mil oficiais da polícia e do Exército foram mobilizados para a visita, considerada um passo a mais na reconciliação e normalização das relações entre os dois países, 11 anos depois do acordos de paz da Sexta-Feira Santa que acabaram, em 1998, com 30 anos de violência entre protestantes unionistas e católicos republicanos no Ulster.

Segundo a BBC, a viagem lançará luz sobre a história compartilhada – que inclui guerras de independência e disputas políticas – pelos dois países. Mas terá, principalmente, um tom reconciliatório. No momento mais simbólico da visita, a rainha deverá homenagear os que morreram lutando contra a coroa inglesa pela independência irlandesa.

O governo irlandês elogiou a visita e também destacou seu valor simbólico. Antes de Elizabeth 2ª, a última viagem de um monarca britânico à Irlanda fora feita há um século, por George 5º, antes da partilha da ilha e da independência do sul, onde hoje fica a república irlandesa. A Irlanda do Norte permanece sendo parte da Grã-Bretanha.

*Com EFE, AFP e BBC
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