Exército indiano acaba com pesadelo que deixou 183 mortos em Mumbai

Agus Morales. Mumbai (Índia), 29 nov - O Exército indiano eliminou hoje o último reduto de terroristas e pôs fim a quase três dias de crise que, segundo os últimos dados oficiais, deixaram 183 mortos e centenas de feridos em Mumbai, centro financeiro da Índia. O Governo indiano informou que entre os mortos na série coordenada de ataques terroristas há 22 estrangeiros e 20 membros das forças de segurança, dois deles integrantes de comandos de elite. No entanto, as autoridades municipais de Mumbai elevaram para 195 o número de vítimas mortais, entre elas 23 estrangeiros, mas alertou para que o dado é provisório, segundo a agência indiana PTI. Os últimos disparos e explosões ocorreram hoje no luxuoso hotel Taj Mahal, em frente ao mar Arábico e à emblemática Porta da Índia, onde os comandos de elite indianos mataram três terroristas, revistaram os mais de 300 quartos do complexo e detonaram armamento e granadas que tinham sido encontrados no interior do hotel. Uma fonte oficial citada pela agência Ians assegurou que as forças indianas encontraram duas bombas dentro do hotel, por isso deduziu que o plano era destruir o complexo, enquanto alguns canais asseguraram que vários terroristas já estavam hospedados no Taj Mahal. Não muito longe do estabelecimento se encontra outro dos dez pontos atacados, o hotel Oberoi. Embora os hotéis apresentem sérias imperfeições - apenas a reconstrução da ala leste e da cúpula do Taj Mahal custará cerca de US$ 100...

EFE |

Embora a princípio o grupo desconhecido Deccan Mujahideen tenha assumido os ataques, a inteligência indiana está se baseando no testemunho do único terrorista detido, Ajmal Amin, para determinar a autoria e as circunstâncias dos atentados.

Amin admitiu pertencer ao movimento terrorista Lashkar-e-Taiba, que tem sua base no Paquistão, embora o grupo já tenha negado seu envolvimento, apesar de a Índia o ter relacionou durante anos com os grandes atentados que sofreu.

Segundo fontes de inteligência citadas pela "PTI", as autoridades encontraram um navio abandonado no mar a cinco milhas náuticas de Mumbai que poderia ter sido utilizado pelos terroristas para lançar suas violentas operações.

Pelo menos oito terroristas alcançaram a costa de Mumbai em uma embarcação após seqüestrar o navio "Kuber", atirar à água três membros da tripulação e amarrar e decapitar um quarto, segundo as mesmas fontes.

Além disso, uma fonte oficial citada pela "PTI" afirmou que os terroristas receberam suas armas de um agente que um gângster, identificado como Dawood Ibrahim tem na cidade.

Ibrahim, suposto cérebro dos ataques terroristas em Mumbai que deixaram 257 mortos em 1993, é um dos homens mais procurados pela Índia, cujas autoridades suspeitam de que viva na cidade portuária paquistanesa de Karachi, de onde supostamente saiu o navio com os terroristas.

Em entrevista coletiva recolhida pela agência "Ians", o ministro do Interior do Estado de Maharashtra (cuja capital é Mumbai), R.R.

Patil, disse que os terroristas pretendiam assassinar cinco mil pessoas no ataque.

"Havia dez terroristas no total. Nove foram mortos e um foi capturado vivo. Receberam instruções do exterior por meio de telefones celulares via satélite", disse Patil.

"Já sabem de qual país", ironizou o ministro em alusão ao Paquistão, cujo Governo negou energicamente seu envolvimento nos ataques. EFE amp/ab/db

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