Exército e milícias leais a ex-presidente entram em confronto na Tunísia

Primeiro-ministro espera anunciar novo governo nesta semana, enquanto população sofre com escassez de produtos básicos

BBC Brasil |

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Soldados do Exército e milícias leais ao ex-presidente Zine al-Abidine Ben Ali entraram em confronto durante a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira na Tunísia. Ben Ali renunciou na sexta-feira, em meio a uma onda de protestos contra o governo, que eclodiu no país nas últimas semanas.

O chefe do Parlamento, Foued Mebazzaa, foi oficializado como presidente interino no sábado. Segundo Wyre Davies, correspondente da BBC na capital, Túnis, foram ouvidos intensos tiroteios pela cidade durante a noite.

Moradores relataram confrontos nos arredores do palácio presidencial, em Cartago, ao norte de Túnis. Também foram verificados tiroteios em frente ao Ministério do Interior e à residência presidencial. Os confrontos se intensificaram no domingo depois da prisão do ex-chefe da segurança do presidente, Ali Seriati, acusado de estimular a violência no país. Soldados em tanques estão patrulhando a capital tunisiana e outras cidades para tentar restaurar a ordem.

O estado de emergência continua em vigor e começaram faltar produtos básicos nas lojas e em postos de combustíveis. Nesta segunda-feira, em meio aos distúrbios e à tensão que tomaram conta do país, continuam as negociações entre grupos políticos, partidos e o primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, que disse esperar anunciar um novo governo ainda neste início de semana. O primeiro-ministro também prometeu "tolerância zero" com os que ameaçam a segurança do país.

Filas

Os moradores de Túnis formaram longas filas em postos de combustíveis e muitos reclamaram da falta de alimentos nas lojas. Na noite de domingo, alguns moradores da capital bloquearam estradas com barreiras improvisadas, com galhos e latas de lixo, para tentar proteger suas casas de saqueadores.

Outras pessoas começaram a arrancar retratos de Zine al-Abidine Ben Ali espalhados por cartazes ou postes de luz. Outros atacaram prédios e empresas ligadas ao ex-presidente ou à família dele.

Segundo a atual Constituição tunisiana, a nova eleição presidencial deve acontecer dentro de 60 dias. Os protestos começaram no último mês como forma de manifestação de insatisfação com o alto desemprego, o aumento no preço dos alimentos e a corrupção.

Dezenas foram mortos em choques entre manifestantes e a polícia. Ben Ali, que foi presidente da Tunísia por 23 anos, viajou na sexta-feira para a Arábia Saudita, depois de renunciar ao cargo.

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