Exército e manifestantes se enfrentam na Tailândia

Confrontos violentos nesta terça deixam um soldado morto e ao menos 16 feridos em Bangcoc

iG São Paulo |

Um soldado morreu e ao menos dezesseis pessoas ficaram feridas nesta terça-feira em enfrentamentos entre forças de segurança e manifestantes de oposição em um subúrbio de Bangcoc, bloqueado por um grupo de manifestantes oposicionistas da UDD (Frente Unida pela Democracia contra a Ditadura, na sigla em tailandês), apelidados de "camisas vermelhas".

Cerca de 900 soldados e policiais enfrentaram os cerca de 200 caminhões e 500 motos que pela manhã saíram das bases oposicionistas na direção norte da capital, onde as forças de segurança prenderam na segunda-feira onze manifestantes.

Conforme a versão oficial, as forças de segurança utilizaram balas de borracha para desfazer o comboio, que saiu pouco antes do acampamento que os "camisas vermelhas" mantêm no coração comercial da capital.

As tropas do governo dizem ter ordem de utilizar balas de borracha, mas que podem usar munição real em defesa própria. Desde que os protetos na Tailândia começaram, em meados de maio, pelo menos 26 pessoas morreram e mil ficaram feridas.

Barricadas no centro de Bangcoc

Nesta madrugada, alguns manifestantes da oposição colocaram botijões de gás nas barricadas do acampamento no centor de Bangcoc. Com isso, querem enviar um recado claro aos soldados sobre as consequências que vai acarretar um ataque contra o acampamento, disse Somluck Aphisart, membro do serviço de segurança de Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura.

Cerca de mil pessoas permaneciam nas primeiras horas desta quarta-feira no acampamento, montado perto de vários dos mais luxuosos shoppings e hotéis da capital.

Negociação

Apesar da crescente tensão, o governo diz que ainda tenta negociar uma saída pacífica para a situação. Mas após o fracasso de duas rodadas de negociações, os líderes da UDD argumentam que não há clima para sentar à mesa.

O grupo contrário aos "camisas vermelhas", a Aliança Popular pela Democracia (PAD, na sigla em inglês), também conhecido como "camisas amarelas", deu um ultimato ao governo exigindo que os manifestantes da UDD sejam retirados da capital até o próximo domingo. Caso contrário, os militantes do PAD prometeram sair às ruas para protestar também.

Reuters
Manifestantes carregam homem ferido durante protesto na Tailândia

Queda de braço

A queda de braço entre "vermelhos" e "amarelos" se prolonga desde 2006, quando o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra foi deposto por um golpe de estado.

Thaksin Shinawatra era apoiado pela UDD, mas caiu sob a acusação de corrupção e conflito de interesses. Em 2008, quando aliados dele retornaram ao poder, manifestantes "amarelos" foram às ruas.

O embate ocorrido na época resultou no fechamento do aeroporto internacional de Bangcoc e muito prejuízo para a indústria do turismo na Tailândia.

Em março, Thaksin Shinawatra foi condenado à revelia por corrupção e conflito de interesses. O governo apreendeu US$ 1,4 bilhão de sua fortuna, estimada em US$ 2,3 bilhões. Atualmente, Thaksin Shinawatra vive exilado em Dubai.

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