Exército dos EUA culpa comandantes militares por erros no Iraque

Washington, 29 jun (EFE) - As decisões erradas dos principais comandantes militares americanos, que assumiram que a guerra tinha terminado, estabeleceram as bases para o desastroso plano do pós-guerra e ocupação do Iraque.

EFE |

A conclusão consta de um relatório oficial do Exército dos Estados Unidos sobre a história da Guerra do Iraque, que será publicado amanhã, mas que foi antecipado hoje pela imprensa americana.

O relatório de quase 700 páginas, "On Point II: Transition to the New Campaign", analisa as operações do Exército americano no Iraque entre maio de 2003 e janeiro de 2005.

O documento conclui que os comandantes militares e civis estiveram muito centrados em uma vitória militar e não tinham uma visão realista do que o país deveria ser após a guerra.

Estas críticas não são novas, mas é a primeira vez que o Exército americano fala sobre o assunto.

O documento afirma, segundo o jornal "The New York Times", que "os meios militares usados eram suficientes para derrubar o regime de Saddam Hussein, (mas) não eram para substituí-lo com o tipo de nação-Estado que os EUA queriam ver em seu lugar".

O Exército, como principal corporação responsável das operações de terra, "deveria ter insistido" em um melhor planejamento nas reuniões do Estado-Maior, acrescenta.

Por exemplo, o chefe do Comando Central na época, o general Tommy Franks, surpreendeu a todos ao reformular os comandantes em Bagdá, mas a decisão fez com que o esforço militar ficasse ao comando de um general recém-promovido e de poucos funcionários.

Um dos principais problemas foi a falta de planos detalhados antes da guerra para a fase do pós-guerra, uma ausência resultante do otimismo na Casa Branca e do Pentágono sobre o futuro do Iraque.

Os autores do relatório do Exército citam o comandante da artilharia da 3ª Divisão de Infantaria, Thomas Torrance, que afirma que "durante nossos testes e o desenvolvimento de nosso plano perguntei, então, estamos em Bagdá, e agora?, e ninguém deu uma boa resposta".

"A transição a uma nova campanha não foi bem pensada, nem foi planejada ou preparada antes do início" da guerra, explica o estudo.

Parte da culpa recai no Pentágono, então sob o comando do secretário de Defesa Donald Rumsfeld, que queria transformar o Departamento em "forças menores e rápidas" e "saborear a euforia da aparente fácil vitória no Afeganistão usando essas técnicas" em vez de "examinar o passado na busca de respostas para o futuro".

Os historiadores do Centro Combinado de Armas do Exército em Fort Leavenworth se baseiam em 200 entrevistas com oficiais e funcionários na ativa ou recentemente aposentados.

Os autores, o coronel Timothy Reese e o historiador civil Donald Wright, afirmam que nas instruções recebidas foi ordenado que não fugissem da polêmica, mas também que não se pronunciassem de forma definitiva sobre se as decisões de altos funcionários alteraram de modo decisivo o curso da guerra. EFE mv/db

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