Exército dos EUA abre investigação sobre vazamento pelo Wikileaks

Militares realizam investigação criminal sobre divulgação de 92 mil documentos confidenciais sobre a guerra do Afeganistão

iG São Paulo |

O Exército americano abriu formalmente nesta terça-feira uma investigação criminal sobre o vazamento de milhares de documentos confidenciais sobre a guerra do Afeganistão , informou o Pentágono.

A investigação ficou a cargo da mesma divisão criminal encarregada do dossiê de Bradley Manning , um soldado de segunda classe de 22 anos detido em maio. Ele é suspeito de ter transmitido ao site Wikileaks um vídeo mostrando o ataque de um helicóptero do Exército americano que causou, em 2007, a morte de dois funcionários da agência de notícias Reuters e de várias outras pessoas em Bagdá.

O coronel Dave Lapan, um porta-voz do Pentágono, informou que a agência vai investigar um "espectro mais amplo" em relação aos vazamentos que levaram à divulgação de 92 mil relatórios militares sobre a guerra no Afeganistão, datados de 2004 a 2009. "A investigação em curso sobre o vazamento dos documentos ao Wikileaks não se concentra sobre um indivíduo em particular, é mais ampla", disse.

Segundo o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, o soldado Manning é "certamente um personagem importante" nesse assunto, mas não detalhou seu possível envolvimento numa entrevista ao canal MSNBC nesta terça-feira. Manning está atualmente numa prisão militar americana no Kuwait.

A revelação de documentos militares confidenciais aumentou a pressão sobre o presidente americano, Barack Obama , para defender sua estratégia militar enquanto o Congresso dos EUA se prepara para deliberar o financimento da Guerra do Afeganistão.

Documentos

Os mais de 90 mil documentos militares secretos dos EUA que foram vazados para a imprensa internacional revelam detalhes até então desconhecidos da guerra no Afeganistão, de acordo com reportagens publicadas nas segunda-feira pelo jornal americano The New York Times, jornal britânico The Guardian e a revista alemã Der Spiegel .

As publicações disseram não ter tido contato com a fonte original responsável pelo vazamento das informações, mas afirmaram ter passado semanas verificando os dados. O Guardian descreveu o dossiê como um dos maiores vazamentos da história militar americana.

AFP
Documentos sobre o Afeganistão foram divulgados por site especializados em informações sigilosas
O dossiê incluiria informações sobre mortes não divulgadas de civis afegãos, bem como sobre operações sigilosas contra líderes da milícia islâmica Taleban.

Os relatórios atestariam que o Taleban teve acesso a mísseis capazes de detectar fontes de calor para bombardear aviões e que uma unidade secreta formada por forças especiais do Exército e da Marinha dos EUA conduziu missões para "capturar ou matar" líderes da milícia.

Os documentos também revelam preocupações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) com a ajuda dos países vizinhos ao Afeganistão, Paquistão e o Irã, a insurgentes do Taleban. Além disso, o dossiê indica que muitas mortes de civis causadas por bombas colocadas em estradas ou resultado de erros em missões da Otan não foram registradas.

*Com AFP e BBC

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