Exército do Sri Lanka toma capital de tâmeis, que respondem com atentado

Nova Délhi, 2 jan (EFE).- O Exército do Sri Lanka tomou hoje o controle total de Kilinochchi, capital de fato da guerrilha dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE), ação militar à qual os rebeldes responderam com um ataque suicida em Colombo que acabou com a morte de dois soldados.

EFE |

Em mensagem à nação, o presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa, anunciou a conquista do reduto dos LTTE.

"Nossos valentes e heróicos soldados capturaram completamente Kilinochchi, que era considerado o principal reduto" dos LTTE, declarou.

Segundo Rajapaksa, "o mundo inteiro" deve valorizar a tomada de Kilinochchi, pois os LTTE são "internacionalmente" reconhecidos como "a organização terrorista mais poderosa do mundo".

"Sejam quais forem as palavras ou a linguagem que se use para descrevê-la, esta é uma vitória autenticamente incomparável. O que nossas heróicas tropas conseguiram não é apenas a captura da grande fortaleza dos LTTE, mas a maior vitória na luta mundial contra o terrorismo", declarou o presidente.

Em declarações à Agência Efe, o porta-voz militar Udaya Nanayakkara confirmou que "as tropas governamentais assumiram o controle total da cidade de Kilinochchi. Capturaram a estação de trem, o hospital, vários complexos e libertaram a estrada A-9", que une o norte da ilha ao resto do país.

O porta-voz explicou que as tropas encontraram "resistência inicial" por parte dos LTTE quando entraram em Kilinochchi, localidade que permaneceu sob domínio rebelde durante dez anos.

Várias divisões do Exército penetraram em Kilinochchi pelo norte, pelo oeste e pelo sul, por onde romperam as linhas defensivas da guerrilha após várias semanas de cerco militar.

À margem da resistência rebelde, a cidade estava completamente vazia, pois os guerrilheiros retiraram os civis e os levaram para outras áreas sob seu controle, diz Nanayakkara.

O portal "TamilNet", favorável à guerrilha, reconheceu que Kilinochchi foi "ocupada", embora tenha afirmado que os LTTE tenham transferido sua infra-estrutura para outra região do nordeste da ilha.

"O Exército do Sri Lanka entrou em uma cidade virtualmente fantasma", diz o comunicado divulgado no "TamilNet", que admite que as tropas do Sri Lanka tomaram o controle de Kilinochchi "pela primeira vez em dez anos".

Pouco antes do anúncio de Rajapaksa, o porta-voz do Exército Udaya Nanayakkara explicou à Agência Efe que as tropas tinham conseguido entrar em Kilinochchi.

Nanayakkara afirmou que, após a queda de Kilinochchi, as tropas prosseguirão seu avanço para o leste e os LTTE se refugiarão nas cidades que permanecem sob seu controle.

Cerca de uma hora depois do anúncio da conquista do reduto dos LTTE, um suicida que conduzia uma moto detonou a carga explosiva que levava perto de uma base militar em Colombo, informou à Agência Efe uma fonte do Ministério da Defesa do Sri Lanka.

Como conseqüência da explosão, pelo menos dois soldados cingaleses morreram e 34 pessoas, entre elas 12 militares, ficaram feridas na região de Slave Island, em frente à sede central das Forças Aéreas do Sri Lanka.

O portal "TamilNet", afim ao LTTE, confirmou que os dois mortos são membros das Forças Aéreas cingalesas e afirmou que o número de feridos é de 29.

A "explosão" aconteceu enquanto Colombo "estava comemorando com fogos de artifício a ocupação de Kilinochi", ironizou o portal da guerrilha.

A queda da cidade representa um duro revés para os LTTE, que administravam a partir de Kilinochchi seu próprio sistema administrativo, tribunais de justiça e Polícia.

Desde que o Governo cingalês rompeu unilateralmente os acordos de cessar-fogo de 2002 há pouco menos de um ano, o Exército se envolveu em uma dura campanha militar com o objetivo de cercar o LTTE no norte da ilha.

O Exército recuperou em 2008 das mãos tâmeis uma ampla faixa costeira no leste da ilha e várias regiões do norte, em algumas conquistas militares que levaram ao deslocamento de milhares de civis.

Os LTTE lutam há 25 anos contra o Governo do Sri Lanka em reivindicação de um estado independente para as áreas de maioria tâmil, no norte e leste do país. EFE mb/fal

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