Exército do Peru matou civis e não terroristas, diz grupo

LIMA (Reuters) - Um órgão de defesa dos direitos humanos no Peru disse na quinta-feira que eram camponeses e não terroristas os cinco mortos nas últimas ações militares para liquidar os membros remanescentes do grupo Sendero Luminoso, ao contrário do que afirmou o Exército peruano. No fim de agosto, os militares deram início a uma operação no vale dos rios Apurímac e Ene, no sul do Peru. O local é considerado um dos últimos bastiões dos rebeldes, que atuariam em conjunto com o narcotráfico.

Reuters |

O Exército informou que, na operação mais recente, ocorrida em setembro, foram mortos cinco "terroristas", mas seus corpos não puderam ser resgatados devido aos ataques da guerrilha.

"Apesar do avançado estado de decomposição (dos corpos), foram reconhecidos pelas roupas. Evidentemente, eram moradores do local e não terroristas", disse à Reuters Yuber Alarcón, advogado da Associação Pelos Direitos Humanos do Peru, por telefone.

Alarcón, advogado de uma mulher que denunciou o desaparecimento de 11 pessoas na incursão militar de 14 de setembro, disse que participou da localização dos corpos junto com uma equipe forense e dos promotores que investigam o caso.

Um funcionário da promotoria disse à Reuters que a identificação completa dos cadáveres será feita na semana que vem e preferiu não tirar conclusões.

O Sendero Luminoso, de ideologia maoísta, liderou uma guerra de mais de duas décadas contra o Estado peruano que deixou mais de 69 mil mortos ou desaparecidos, a maioria deles civis, segundo uma comissão que investigou a violência interna.

Desde a captura de Abimael Guzmán, líder e fundador do grupo, o Sendero Luminoso reduziu suas ações e se refugiou em lugares remotos do país, onde faz ataques à polícia, que combate os rebeldes e o narcotráfico.

O presidente Alan García prometeu acabar com os últimos membros remanescentes do Sendero Luminoso e, na véspera, protestou contra a "perseguição" judicial que sofrem os militares que participaram da luta contra a guerrilha.

(Por Diego Oré)

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