Exército do Paquistão mantém bombardeios em Swat

O Exército do Paquistão anunciou nesta segunda-feira o prosseguimento do bombardeio das posições talibãs no vale do Swat, no noroeste do país, em uma ofensiva que entrou na quarta semana.

AFP |

No fim de semana, a ONU anunciou que o número de pessoas que tiveram que abandonar suas casas para fugir dos combates desde o início da ofensiva já superou um milhão, e alertou para uma grave crise humanitária.

"Os caças e os helicópteros de combate estão bombardeando as posições dos talibãs nos setores de Peochar e Takhta Bund, no vale do Swat", afirmou à AFP uma alta fonte militar, que não quis ser identificada.

Nenhuma das informações divulgadas pelo Exército pode ser verificada por fontes independentes, já que o acesso à zona de conflito é proibido pelos militares.

Outro oficial confirmou os bombardeios aéreos na manhã desta segunda-feira no setor de Takhta Bund, que descreve como a principal via de abastecimento dos talibãs que ocupam Mingora, a capital do distrito de Swat.

O Exército cerca há uma semana esta cidade que tinha 300.000 habitantes antes da ofensiva, mas ainda não lançou o ataque, alegando que pretende desta forma "minimizar" as perdas civis. No entanto, vários refugiados afirmaram que o Exército bombardeia alguns bairros sem discriminação, matando muitos civis.

Em duas oportunidades, os militares suspenderam temporariamente o toque de recolher em Mingora e seus arredores, permitindo a fuga de dezenas de milhares de habitantes.

Muitas pessoas que conseguiram fugir descreveram uma cidade fantasma, sem água, eletricidade e alimentos, onde os moradores ficam enclausurados em suas casas e onde as ruas estão tomadas por talibãs armados até os dentes.

O Exército não informou quando pretende lançar a ofensiva terrestre em Mingora.

Sob pressão de Washington, o Exército do Paquistão lançou no dia 26 de abril uma grande ofensiva nos distritos de Baixo Dir, Buner e Swat para conter o avanço dos talibãs, que chegaram a 100 km de Islamabad em meados de abril.

O ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, afirmou domingo que mais de 1.000 talibãs foram mortos pelos militares nas três últimas semanas. O Exército alega ter perdido apenas 40 homens e se recusa a fazer um balanço das perdas civis, limitando-se a qualificar as mesmas de "inevitáveis".

"A ofensiva continuará até que o último talibã seja encontrado. Eles estão fugindo e serão eliminados, custe o que custar", garantiu Malik.

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