Exército do Níger anuncia fim do toque de recolher e abertura de fronteiras

A junta militar que realizou na quinta-feira um golpe de Estado contra o presidente do Níger, Mamadou Tandja, anunciou nesta sexta-feira que levantou o toque de recolher, reabriu as fronteiras e vai libertar vários ministros.

AFP |

A medida foi anunciada horas depois de os golpistas terem posicionado tanques ao redor do palácio presidencial após o golpe  condenado pela União Africana (UA) , que exigiu um retorno à ordem constitucional em um dos países mais pobres do oeste da África.

Os militares de Níger derrubaram Tandja na quinta-feira em enfrentamentos armados que deixaram pelo menos dez mortos.

Após ter derrubado do poder Tandja, o Conselho Supremo para a Restauração da Democracia (CSDR, denominação oficial do novo grupo) anunciou ter na liderança o comandante do esquadrão Salou Djibo, cuja unidade, fortemente armada, desempenhou papel chave no golpe.

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Mapa
Mapa

"O governo está dissolvido", afirmou um comunicado assinado por Djibo e lido na televisão estatal por um oficial não identificado.

Além da União Africana, a União Europeia também condenou o golpe. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, incentivou "todos os envolvidos a se comprometerem imediatamente em um processo democrático" para estabelecer uma "ordem constitucional" no país.

"A UE compartilha a inquietude da União Africana (UA) e da Comunidade Econômica dos Estados da África do Oeste (CEDEAO) sobre os acontecimentos recentes e apoia seus esforços de mediação", prosseguiu Güllner em um comunicado.

Crise política

Níger, um dos países mais pobres do mundo apesar de ser o terceiro produtor mundial de urânio, atravessa uma grave crise política desde que o presidente decidiu prolongar seu mandato.

AP
Mamadou Tandja
Tandja, presidente do Níger

Após dez anos no poder, Tandja, de 71 anos, dissolveu no ano passado o Parlamento e o Tribunal Constitucional e conquistou o aumento de seu mandato por pelo menos mais três anos em um referendo realizado em agosto.

O coronel Dikibrilla Hima Hamidou, comandante da unidade de elite militar do Níger e ex-membro de outro grupo responsável por um golpe de Estado em 1999, apareceu junto ao porta-voz que anunciou a tomada de poder.

Segundo informações, os militares golpistas prenderam Tandja em um local diferente de onde estão os ministros.

A França, que teve Níger como colônia até sua independência em 1960, pediu a seus cidadãos que não saiam às ruas. O gigante francês da energia nuclear Areva é o maior empregador privado no país.

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